Encontro

Edição: 570 Publicado por: Ney Fernandes em 01/11/2017 as 08:19

 
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Viajando pelo mundo, através dos livros, fui parar nos confins da terra, onde encontrei um Império em decadência. Cheguei, fui procurar os órgãos competentes da administração, pois queria conhecer o porquê da decadência do Império. A pessoa que me indicaram, foi uma economista, cujo nome era Mariar. Mulher bonita, agradável no trato, conhecedora dos problemas de sua terra, com muitas qualidades daquelas que gostamos de encontrar nas pessoas. Naturalmente, comecei imediatamente, a conversar com Mariar. Notei que Mariar, no primeiro momento mostrou-se reservada diante daquela situação ou, com algum receio diante do quadro que Mariar iria me expor. Apesar da dificuldade inicial, a conversa evoluiu e Mariar começou a expor todo seu conhecimento sobre os problemas do Império. Dizia Mariar: vou começar por uma questão que talvez o senhor não queira ouvir, mas acredito que preciso começar do princípio, toda a minha análise. O povo aqui do Império, tem transferido para “Deus” todos os seus problemas, sem procurar soluções capazes de resolver toda situação. Outrora, os homens estavam convencidos de que suas ações tinham pelo menos um espectador, que conhecia todos os seus gestos(e pensamentos) era capaz de compreendê-los e eventualmente de condená-los Mesmo sendo um marginal, um infeliz ignorado até por seus semelhantes alguém que seria esquecido depois de desaparecer Alimentava-se ilusão de que ao menos um que soubesse tudo a nosso respeito: “Deus sabe o que sofri”, dizia a avó doente e abandonada pelos netos. “Deus sabe que sou inocente”, consolava-se o injustamente condenado. “Deus sabe o quanto fiz por você”, dizia a mãe do filho ingrato”. Deus sabe quanto te amo”, gritava o amante abandonado. Só “ Deus sabe tudo o que passei”, lamentava o desgraçado cujas desventuras não interessava a ninguém. Deus era sempre invocado como o olho ao qual nada escapava e cujo olhar dava sentido até à vida mais cinzenta e insensata. Parece, então, que fomos abandonados pela nossa incapacidade de resolver nossos problemas. Veja bem, o Império oferece inúmeras possibilidades, pela sua grandeza e pelas riquezas de seu solo e subsolo, do trabalho de seu povo, cujo povo, em sua maioria vive na miséria, sem escolas, sem saúde, sem moradia, cujo débito habitacional aprofunda-se por causa do desemprego e do corte dos programas de moradia. É o petróleo que jorra na terra e no mar, é a capacidade técnica de seus funcionários, é o grande potencial de uma enorme floresta, que é conhecida como Floresta Amazônica, onde no solo e subsolo guarda imensas riquezas (ouro, pedras preciosas etc.), o minério de ferro, com grande volume de exportação, enormes espaços de terra que possibilitam plantações imensas, cujas plantações de soja, milho etc., suas exportações, ajudam no equilíbrio da balança comercial, tem inúmeras indústrias de transformação, o setor de trabalho representa um grande potencial em nossa economia e ainda poderia acrescentar para o senhor (Mariar me chamava de senhor) muito mais. Infelizmente, os vendilhões da pátria assaltaram o poder e estão querendo entregar todas as nossas riquezas, com a possibilidade de nos vermos transformados numa nova colônia. Estamos também diante de uma grande tragédia. Vemos uma quantidade infinita de áreas dominadas por empresas multinacionais que não estão trazendo nenhuma tecnologia, nada. Simplesmente compram empresas nacionais e estão mandando belos lucros e dividendos para um (USA). Isso enfraquece profundamente a economia do Império. Olha Mariar, saio daqui satisfeito pois, suas explicações foram satisfatórias para meu entendimento. Espero que o meu país acorde (o Brasil), e que saibamos romper a barreira dos indesejáveis, dos moleques que se julgam donos de todo nosso potencial, pois qualquer semelhança com o Império é mera coincidência. Nós aqui no Brasil podemos acrescentar que nosso trabalhador é preço de banana e nem a mão de obra brasileira é cara, nem a nossa CLT é antiquada. É claro que, muito mais poderia ser dito, mas acrescento que, o mundo vai mal, mas o Brasil muito pior. No país da casa-grande e da senzala, as quadrilhas tomaram o poder.

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