Continuando a falar de águas

Edição: 571 Publicado por: José Valter Lima Monteiro em 08/11/2017 as 08:37

 
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Morando no campo há muitas décadas, conheci o rio Bonito limpo e claro na minha infância. De vez em quando aos domingos meu pai nos levava para tomar banho de cachoeira e pescar nesse rio. Pescava-se quase todo tipo de peixe que lá havia. Depois das primeiras chuvas, então, era aquela fartura! Hoje, está morto, fedido e escuro. Algumas pessoas que leem o que escrevo podem discordar; é um direito que elas têm. Mas eu vi acontecer, por isso sou testemunha.

A Cedae hoje é muito importante pra Valença, apesar da inadimplência dizem que chega a 80 %. Pergunto a você: Qual empresa pode prestar um bom serviço com uma situação destas? Se há abusos ou erros por parte da Cedae tem que ser corrigidos.

Li uma reportagem de um engenheiro aposentado de São Paulo que pagava só de consumo de água à Sabesp cerca de R$700 por mês. Ele construiu uma cisterna e colocou calhas em toda a sua residência, (desprezando as primeiras chuvas, para limpeza do telhado) a sua conta caiu 70%. Só usa água tratada da Sabesp para uso doméstico. Desconfiados, de algum golpe, foram vistoriar. Ele mostrou o trabalho que havia feito em sua residência. Os fiscais ficaram boquiabertos ao ver que ele estava ajudando o Estado a diminuir as enchentes e economizando água.

Ele inteligentemente chamou-os para ver outra coisa. Ele havia também colocado placas de energia solar no telhado e sua conta de energia também caiu vertiginosamente. Precisamos aproveitar o que a natureza nos oferece gratuitamente sem agredi-la.

Em Valença, deveria se construir pequenas barragens acima dos bairros de onde vem a água, para abastecer a cidade para não impactar o meio ambiente. Digo barragens de pequeno e médio porte, que durante o período chuvoso irão ficar abastecidas e servirão para coleta de água no período seco. Não precisando usar as águas contaminadas com dejetos dos bairros acima dos pontos de captação. Olha gente! Estou muito preocupado como que está acontecendo ano a ano. Os brejos secando, os leitos dos rios só diminuindo, e a população só aumentando e a água não é mais a mesma; ela está suja e pouca.

As cidades litorâneas como Rio de Janeiro e Niterói, a baixada fluminense, e outras, já deveriam estar fazendo a despoluição efetiva da baia da Guanabara, e a sua dessalinização há muito tempo. Digo isto porque gosto muito de ler. Li uma matéria sobre Israel, e eles fizeram esse projeto lá há muito tempo e funciona superbem. O retorno do investimento foi muito mais rápido que o esperado. Não querendo me alongar muito, mas estou muito preocupado com o futuro dos nossos descendentes. Volto a dizer que Valença terá que bombear água do rio Preto (ou até do mar) para o consumo da sua população num futuro próximo. Medidas deveriam ter sido tomadas há mais ou menos 30/40 anos atrás. Dia desses vi numa reportagem na TV que o governo de São Paulo quer fazer a transposição das águas do rio Paraíba do Sul, para abastecer uma represa deles e quando houver sobra fará o retorno para o rio Paraíba. Será que isso vai acontecer? Se isso acontecer (a transposição) o rio Guandu também vai secar pois as águas de lá também vêm do rio Paraíba do Sul para abastecer a Baixada e a Capital.

O efeito estufa está aí com a temperatura subindo ano a ano e as geleiras derretendo, um calor quase insuportável. O que será de nós? A responsabilidade é de todos.

A produção de alimentos, seja vegetal ou animal, consome uma grande quantidade de água.

Para diminuir os prejuízos com as queimadas gostaria que o Corpo de Bombeiros nos assistisse no campo com um grupamento ou brigada contra incêndios. Como eu disse num artigo anterior, com o prolongamento da seca, os incêndios têm sido muito frequentes em todo o Município e não temos a quem recorrer. Quando ocorrem queimadas em nossas propriedades, nós combatemos fazendo aceiros com trator nosso e dos vizinhos que são parceiros nessas horas. Não temos mão de obra humana nessas horas tão difíceis. Temos que evitar incêndios mas eles às vezes aparecem sem sabermos de onde vem.

E isso vem aumentando ano a ano.

Tomara que tudo que coloco nesse e nos outros artigos sirva de alerta para alguns e mudança de comportamento para outros.

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