Uma pequena história

Edição: 571 Publicado por: Marilda Vivas em 08/11/2017 as 08:42

 
Leitura sugerida

Para ilustrar o universo de valores que forma a ideologia do ‘livre mercado’, na qual se apoia, em grande medida, o processo de globalização, transcrevo aqui uma pequena história na qual a ausência total de solidariedade presente na narrativa, aliada a uma ética que reduz tudo a necessidades econômicas, vai definir o processo de globalização.

“Dois exploradores distraídos foram surpreendidos por um tigre enorme e faminto durante uma incursão pela mata. A situação era de fato desesperadora. O tigre estava a menos de um metro de distância, dentes afiados e com o bote já armado.  De repente, um deles se abaixa e, rapidamente, retira as pesadas botinas de campanha e começa a calçar um par de tênis de corrida, daqueles bem modernos e leves. Atônito, seu companheiro de infortúnio pergunta:

“-Ô fulano, ficou maluco? Você acha que vai ser capaz de correr mais do que um tigre faminto?”

E o outro responde, com um brilho de excitação nos olhos, já começando o pique:

“-E quem disse que preciso correr mais do que o tigre? Basta correr mais do que você!”

 

Globalização

Por globalização deve-se entender o processo econômico e social que estabelece uma integração entre os países e as pessoas do mundo todo, por meio da abertura das fronteiras ao comércio mundial.

O conceito de Aldeia Global, encaixa-se perfeitamente neste contexto, visto estar relacionado com a criação de uma rede de conexões, que deixam as distâncias cada vez mais curtas, facilitando as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente.

 

Em contrapartida, o encurtamento das distâncias acentua de forma dramática a percepção das desigualdades entre os povos. É visível que a globalização não está se desenvolvendo de forma equitativa e nem inteiramente benéfica em suas consequências. Fica claro que a pouca participação dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento nas importantes decisões globais impedem que haja redução da destruição da natureza e das culturas locais, ou mesmo da condição de miséria e da desesperança de muitas populações empobrecidas em diferentes nações do mundo. Nos países onde se concentram dois terços da Humanidade, por exemplo, milhões de crianças são usadas na competição global que se instalou.

Sem ilusão, os efeitos perversos da competição, em escala global, estão em nossas casas. Nas últimas décadas, a prioridade modificou-se, no sentido de adaptar a economia brasileira às exigências da economia mundial. Por citar, é comum assistirmos aos adeptos do livre mercado exitosos em demolir a previdência social, os direitos trabalhistas e reduzir as despesas do Estado.

O certo é que as formas de comportamento flexível de uma sociedade fluida, moderna, buscam o sucesso que, muitas vezes, afeta a vida emocional e a corrosão de caráter criando obstáculos para a manutenção de relações sociais duráveis e para a preservação de valores éticos, necessários à perpetuação da humanidade.              

(Fontes: SENNETT, Richard. Deriva In: A corrosão do caráter. Rio de Janeiro: Record, 2006; GIDDENS, Anthony. Globalização. In: Mundo em descontrole. Rio de Janeiro: Record, 2005).

             

Pensamento vazio

O Brasil dos dias que correm é um país que desconheço. Mexo daqui, mexo dali e não encontro uma pega que esteja fixa no lugar. O estado do Rio de Janeiro é um belo exemplo. O que anda no prumo, por aqui? Teremos solidariedade suficiente para varrer de vez esse cenário? 

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