Fatos do Sim e do Não...

Edição: 571 Publicado por: Gilberto Monteiro em 08/11/2017 as 08:43

 
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Os dias têm sido bastante crueis. É a chuva que escasseia fazendo os rios baixarem e nos fornecerem uma água de aparência mais do que feia.

É o morticínio em Las Vegas, lá por tiros, e o nosso aqui por fogo em creche. Demência que nos coloca, a todos, na linha de mira. Ainda, jovens universitários morrendo precocemente ou por descuido ou por insatisfação com a vida.

Somando-se, ao que já não é pouco, o despertar de uma censura bem semelhante à dos Anos de Chumbo.

A Arte e a Cultura estão causando uma enorme celeuma e vamos nos lembrando do “pai afaste de nós esse cálice, (cale-se) de vinho tinto de sangue” ou “vem, vamos embora que esperar não é fazer”. Lembranças que nos trazem desconfiança e medo.

Autoridades que deveriam estar tentando solucionar tiroteios e violência ou ainda promovendo campanhas sobre o álcool, a maconha e tóxicos mais pesados, ficam aí, primeiro, brigando entre si e depois produzindo uma “cortina de fumaça” na tentativa de esconder-se atrás dela. Como nos Anos de Chumbo, a censura vem lentamente reaquecendo-se e pegando no pé de artistas, museus, diretores de eventos, enfim, de tudo e de todos relacionados a Cultura e Arte. Esta é a questão da exposição patrocinada pelo Banco Santander e proibida no Rio Grande do Sul. Agora, também, pelo prefeito (melhor alcaide) do Rio de Janeiro que, idiotamente, declara: esta exposição não acontecerá no MAR, só se for no fundo do mar.

Inacreditavelmente, quando os tiros espoucavam na favela, ele dizia que a Rocinha precisa de um banho de loja.

Outro fato desagradável é aquele da montagem onde um homem nu é visto e apalpado por uma criança. Ora, o nu é antigo em arte, aqui no Brasil, Norma Bengell num filme, fez nu frontal. Em Florença, o Davi, enorme, e na praça, está vestido como nasceu.

Será que estão querendo nos assustar? Por que não uma pequena placa alertando a impropriedade para menores e crianças? Será que existe alguma artimanha no sentido de não se advertir para depois punir?

Aqui em Valença a Rádio Alternativa sempre nossa parceira em divulgação, nos devolveu uma solicitação pedindo que o assunto seja devidamente relacionado em ficha própria e assinado, não servindo rubrica. Pelo atendimento sempre prestado por aquela emissora, acreditamos que a mesma tenha recebido alguma orientação sobre o assunto a ser divulgado. Orientação ou ordem?

De se deixar claro que não trabalhamos preconizando a nudez e a promiscuidade, porém, exposições, a serem visitadas, merecem respeito. Se, por menores, precisam contar com cuidados dos promotores e vigília dos pais. Quantos pais, já nus, se banham juntamente com os filhos?

Felizmente, se tanta coisa desagradável aconteceu, apreciamos também o inverso: no Clube dos Democráticos, um belo trabalho intitulado “Feira das Diversidades” foi desenvolvido pelo Grupo Diversidade contando com a total coragem e apoio da Secretária Municipal de Educação de Valença, Cida Almeida, que, por sinal, com mansas, educadas e competentes palavras fez um brilhante discurso.

Um encontro de dia todo, abordou as questões de gênero, os cuidados e necessidades de tratar do assunto nos bancos escolares, num trato respeitoso e de cidadania, sem considerar os jovens como os cidadãos do amanhã. Eles são cidadãos do agora com toda a sua sensibilidade, com toda a sua capacidade de criar, com todo o respeito que merecem na vivência de sua Diversidade.

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