“The Evil Within 2” cumpre a promessa de terror que faltou no primeiro game

Edição: 571 Publicado por: Marcelo Iglesias em 08/11/2017 as 10:06

 
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O produtor japonês Shinji Mikami se tornou um mestre do terror, assim como o saudoso cineasta George Romero, que dirigiu o clássico “A Noite dos Mortos-Vivos”. Mikami ganhou fama na indústria de games após dirigir o episódio inaugural da série “Resident Evil”, em que ele credita a inspiração na obra de Romero. Agora o japonês assina a produção de “The Evil Within 2”, que consegue ser ainda mais perturbador e apavorante que o primeiro game, de 2014.

Mais uma vez o game coloca o jogador na pele do policial Sebastian Castellanos, que teve sua vida dilacerada após o massacre no sanatório Beacon, que o levou para uma aventura em que realidade e alucinações se misturavam. Agora Castellanos é um bêbado, que tenta suportar a suposta morte da filha no balcão do bar. No entanto, descobre que a menina está viva, mas não por muito tempo.

A partir daí, o protagonista entra numa jornada insólita, em que temos a impressão de que os roteiros de “Matrix”, “Resident Evil” e os filmes de Romero foram batidos num liquidificador. E resultado tem sabor indigesto. O enredo é muito interessante e cria pilares para justificar a trama. Realidade virtual, campos subconscientes são alguns ingredientes da trama.

“The Evil Within 2” abusa de elementos perturbadores. Retratos de olhos que vigiam os passos do jogador são tão incômodos como a clássica cena de “Um Cão Andaluz” de Luis Buñuel e Salvador Dalí. Corpos embalsamados como contrapesos de um relógio e projeções animadas fazem parte do surrealismo do game. Os primeiros capítulos são tão terrificantes que criam uma sensação de apreensão que prossegue por toda a campanha, até mesmo quando a ação toma conta do jogo.

Jogabilidade

“The Evil Within 2” é bastante fiel ao primeiro game da série, tanto no quesito gráfico, quando na jogabilidade. Com a exceção da reposição dos comandos, o game permite que explore cenários em busca de munição, medicamentos, sucatas e ingredientes que o ajudaram a aumentar sua capacidade de combate.

Os combates são bem intuitivos. O jogador mira com um gatilho e dispara com o outro, agacha para se esconder e pode recorrer a um comando para trocar de esconderijo que lembra o recurso adotado em “Gears of War”, lá em 2006.

Gráficos

Graficamente o game evoluiu muito em relação ao seu antecessor. O time de designers da produtora Tango Gameworks caprichou no detalhamento e efeitos do jogo. Castellanos tem uma lanterna que fica presa à cintura e as sombras distorcidas impressionam. Outro capricho dos produtores está no efeito das gotas de chuva que encharcam as roupas do protagonista.

A exploração também ficou mais ampla. Se o primeiro game tinha um jeitão de “Resident Evil 4”, com aquela vila com construções de madeira e caminhos pré-definidos, a nova aventura permite que o jogador tenha mais liberdade de exploração, assim com tarefas múltiplas, o que dá um ar de game de mundo aberto.

Veredito

Shinji Mikami se supera na produção, apesar de ser impossível não enxergar elementos de Resident Evil na trama e também na jogabilidade. “The Evil Within 2” é uma produção esmerada e caótica, que consegue ser viciante e repulsiva ao mesmo tempo. Para quem é adepto a jogos de terror é uma pedida mais que recomendada, ideal para jogar no escuro, com fone de ouvido e, se necessário, uma fralda.

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