Prisão

Edição: 573 Publicado por: Redação em 23/11/2017 as 07:43

 
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Os mandados de prisão para o filho de Jorge Picciani e logo depois para o próprio presidente da Alerj e de mais dois deputados, bem como os contundentes motivos justificados pelo Ministério Público Federal e acatados pelo Tribunal de Justiça Federal, soaram, à população honesta e pagadora de impostos do combalido estado do Rio de Janeiro, como alívio e esperança. Alívio pelo simples fato de que há anos estamos convivendo com a prova maior que os incrimina e que nos humilha, nos afronta e nos indigna: o escandaloso enriquecimento ilícito, baseado apenas na atuação política. E a esperança de que a punição, quando enfim chegar, seja efetiva, contundente e simbólica. Capaz de extirpar o mal da corrupção que comprometeu tão profundamente a vida de tantos cidadãos de bem, por causa de megalômanos projetos de eleitos travestidos de respeitáveis autoridades com capital provindo de propinas. O rei da Alerj e seus “nobres” deputados estão nus. Assim, como nus estão ficando os príncipes da omissão dos estaduais Tribunal de Contas, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Como nus também ficaram a elite empresarial, que optou por bancar sua competitividade, à base de propina e promíscuas relações, bem como a Receita Federal e a Justiça Eleitoral que nunca perceberam nada de errado na conduta incomum destes, ontem modestos, hoje endinheirados “homens públicos”.

Em defesa dos políticos detidos por um esquemão bilionário, o argumento foi a Constituição e a decisão do STF à favor de Aécio Neves, o Aezão, que em nível federal foi liberado por seus pares. O que se constrói, na verdade, parece-nos afronta, desequilíbrio e forçada insubmissão, de lado a lado – Justiça e legisladores.

Independente disso tudo, do certo ou do incerto, os cidadãos fluminenses, que trabalham e vivem honestamente com o suado recurso provindo de seu trabalho, se enojaram como nunca antes, da desfaçatez provocada por mais um capítulo infeliz, escrito por políticos que garantem não haver provas. Será que ainda acham que alguém duvida? O país e o estado, em tão profunda crise e nada parece abalar os negócios que já nem sequer transitam na esfera das cifras milionárias, mas sim bilionárias. E sem o mais leve, que seja, sinal de constrangimento. Iluminados.

Constata-se que os políticos em primeira instância e os desonestos em extensão, supõem que todos a sua volta serão bobos para sempre. O silêncio dos indignados grita com toda força: chega de tanta bandalheira. Ninguém aguenta mais. Os 39 deputados estaduais que promoveram a histórica sessão da Assembleia do Rio de Janeiro, pois que deixaram claro que muito mais que brigar por um conceito constitucional, atuavam por urgente corporativismo, e por subserviência ao grande chefe, sabidamente por todos, um homem de esquemas que, provavelmente, envolveu a grande parte de seus pares.

Agora, é preciso, antes de mais nada, tomar muito cuidado. A atitude política de Pilatos de lavar as mãos e se isentar dos ônus, pode ser cobrada lá na frente de todos que se omitem e protegem os que não valem nada, verdadeiramente, à população que lhes paga salários e vantagens. Se há ainda alguém de bem e interessado em atender minimamente os reclamos da população é preciso que tenha coragem, o quanto antes, de romper com todo este substrato do mal e falso poder, baseado em altas somas de dinheiro que teoricamente tudo e todos compra. Dinheiro que enriquece corruptos e corruptores, por um lado, mas que, por outro lado, arruina tudo à sua volta. Saúde, segurança, educação, mobilidade urbana, saneamento, desenvolvimento econômico e a formação de novos e autênticos líderes passam por esta hecatombe da falsa política.

Chega de omissão, conivência e da covardia que traz conforto. Chega desta situação. É preciso se opor, antes tarde do que nunca.

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