17 de novembro vai ficar para a história!

Edição: 573 Publicado por: André Correa em 23/11/2017 as 07:48

 
Leitura sugerida

Não confundam convivência parlamentar com conivência parlamentar

Uma pena que depois seis mandatos no parlamento e tendo a certeza de que estamos cada dia mais próximos de um país passado a limpo, a liberdade de expressão seja usada de forma tão equivocada. Sim, digo equivocada porque as redes sociais são hoje senão a maior, mas uma das maiores ferramentas de exposição de opiniões e debates de todos os tempos. Não deveríamos gastar esse mecanismo com ataques reproduzidos de opiniões distorcidas. Devemos sempre preferir a informação antes da opinião. Uma é baseada em fatos, e contra fatos não há argumentos e a outra em replicar o que foi dito no corredor do trabalho ou no telefone sem fio do elevador.

Eu não desempenhei o papel de um deputado aliado ou da base, ou da oposição, quando votei contra a prisão ilegal dos deputados. Eu desempenhei o meu papel como representante de uma casa que rege as leis de um Estado de direito. Não defendi a liberdade de criminosos, mas a constituição federal e estadual, que deveria ser o objetivo não só do legislativo mas também de todos que zelam pelo Estado Democrático de Direito.

Não confundam convivência parlamentar com conivência parlamentar!

Diferente dos que praticam crimes de todos os tipos, nós cidadãos de bem! Acreditem! Existem políticos bem intencionados e íntegros!

Então, como eu dizia, nós cidadãos de bem, políticos de bem, juízes e promotores de bem devemos defender a lei e fazer com que ela seja cumprida e respeitada, enquanto esta estiver em vigor.

Vejam!

O meu voto ou o de qualquer outro deputado não irá impedir a prisão de nenhum parlamentar, caso este seja comprovadamente culpado pelos crimes que estão sendo imputados a eles.

Ora! Do que irá valer mais alguns dias de liberdade caso estejam realmente envolvidos? Mas, como deputado que sou, não posso fechar os olhos ao volume de delações que vêm a público, antes mesmo de autorização judicial e onde todo e qualquer cidadão pode ter o seu nome citado sem o menor direito à defesa. Quantos aqui, que leem esse texto, trabalham ou conhecem alguém que trabalha em empresas como a Petrobrás, Odebrecht e tantas outras? Colocarmos no mesmo saco os corruptos e os verdadeiros trabalhadores, que não estão livres de serem citados numa delação ou num processo criminal, é uma barbárie! Mas se não seguirmos as leis, se rasgarmos a Constituição, mais dia menos dia isso irá acontecer no quintal da casa de qualquer celetista ou prestador de serviços! Por isso, não me canso de repetir que não podemos rasgar a Constituição!

Meu voto se baseou, exclusivamente, no que diz a Constituição Federal e Estadual. Em momento algum coloquei em discussão a inocência ou a culpa dos deputados, o processo seguirá o seu curso normal.

Defendi no meu voto a independência dos poderes e especialmente o respeito à Constituição.

Estamos vivendo um momento de transição. O que a Constituição proteje é o voto popular e não a pessoa física ! Se o parlamentar se desviou vai pagar dentro do devido processo legal, que primeiro investiga e depois prende e não o contrário. A prisão de parlamentares eleitos pelo povo, sim, eles foram eleitos pelo povo e não por nós deputados estatuais, decretada sem um avanço maior nas investigações seria subverter um Estado de direito, que tenta se reerguer após a saudável devastação purificadora que se abateu sobre ele. Purificar sim! Mas dentro da lei!

Repito! Meu voto não impedirá a prisão de nenhum político corrupto, mas impedirá que se rasgue a Constituição, até que a justiça decida pela culpa ou absolvição dos acusados.

Se não concordamos com as leis definidas pela Constituiçao é hora de ir às ruas e modificar o que não nos agrada. Vamos nos mudá-las e não simplesmente ignorá-las para atender os holofotes de uma população legitimamente sedenta de justiça fruto das lambanças feitas pela classe política! Ou vocês acham que não existe gente querendo ver o circo pegar fogo por outros interesses.

Vamos dar ressonância ao trabalho incansável da imprensa, mas não vamos usar redes sociais sem buscar ouvir o contraponto. Entre opinião e informação existe um abismo capaz de ferir muita gente inocente!

Não deixem de ler os artigos dos jornalistas André Singer, Reinaldo Azevedo e Ricardo Bruno sobre esse momento que estamos vivendo! A leitura séria é de grande valia para ajudar a entender pelo que passa nosso Estado.

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