Valença, que bela!

Edição: 573 Publicado por: Gilberto Monteiro em 23/11/2017 as 08:07

 
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“Que me desculpem as feias mas beleza é fundamental”, disse o poetinha Vinícius de Moraes.

Não sendo tão radical, confesso que também sou apreciador da beleza e talvez, por consequência, tenho gostado menos dos espelhos. Eles concretizam o tempo que passou: manchas na pele, olhos, antes profundos, agora aprofundados; vincos pela testa e nas laterais da boca. Enfim, um colágeno despencado! Por detrás destas transformações estão anos vividos, ações, trabalhos prestados: uma existência que reanima o pessimista e faz mais feliz o otimista.

Mudando do ser humano para as cidades, falemos das belezas de uma delas – Valença:

- Nada mais bonito do que, ali pelas dezessete horas e trinta minutos, quase no pôr do sol, a gente enxergar a claridade batendo no branco – amarelo da Catedral. Oitis de um lado, do outro as ruinas do Casarão, ao fundo a Serra dos Mascates. É beleza que acalma o nosso interior.

- Lá do Cruzeiro, naquela hora em que as luzes vão se acendendo, iluminando o lusco-fusco, uma beleza que nos redime do pessimismo.

- Beleza na lateral da Catedral iluminada por lampiões azuis. Na rua Dr. Figueiredo olhada a partir da esquina do Mercado Municipal tendo a beleza lá embaixo no Hotel Valenciano e no Casario anterior a ele, ainda a das simples casas da rua em frente.

- O charme do Coreto tendo ao fundo o Cine Glória no seu estilo “art-nouveau”.

- Beleza nas casas, numa calçada mais alta, laterais a Igreja do Rosário ou na rua que vai dos fundos da Catedral em direção à cadeia, tendo ao fundo a Serra dos Mascate.

- Muita beleza, se num sábado à tarde, estivermos na escadaria da Catedral e olharmos os arredores e o centro da cidade. É a calma do interior. Cidade acolhedora.

- Ainda a beleza no contraste das construções da FAA com o antigo Colégio Valenciano São José.

- A Rua Silva Jardim é de beleza singela.

- Descer a rua do Restaurante Colonial é prazeroso, de um lado casas preservadas, do outro o Jardim de Baixo, visto de um ângulo mais alto. Lindo!

- A rua Dom André Arcoverde belamente arborizada com oitis. A Praça Balbina Fonseca fazendo contrastar o antigo, a Santa Casa, e o novo, o Hospital Escola.

- O Cemitério do Riachuelo, o mais belo e aristocrático da nossa região. Túmulos com mármore de Carrara. Sempre limpo e contando com as sombras das árvores.

- A Praça Paulo de Frontin um quadrilátero de impressão altaneira: a antiga Central do Brasil, o Hotel Valenciano, o Bramil e, do outro lado, dependências antigas da Central. No Centro um elegante pedestal com o busto de Paulo de Frontin.

- O prédio do Colégio Teodorico Fonseca e o campo de futebol ao lado – uma cidade é melhor e mais bonita proporcionalmente às áreas livres de que dispõe.

- O Mercado Municipal que, aos domingos, abriga uma gostosa feira. Coisas que para Leonardo Boff são a visão mais autêntica de uma cidade.

Valença com suas subidas e descidas é bonita demais. Nossos olhos precisam estar, pelo menos, divididos entre o que temos, o que somos e o que não temos. O que temos é perene principalmente, depois do Inventário do Patrimônio. O que não temos, principalmente por falta de recursos, virá. É coisa do futuro dependendo muito do valor e do olhar que dermos a nossa bela cidade.

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