O trem vai chegar

Edição: 574 Publicado por: Gilberto Monteiro em 29/11/2017 as 09:19

 
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Era uma cidade ferroviária: o trem apitava, gente desembarcava, gente embarcava. Os galpões retificando e fabricando vagões, os vagões indo e vindo. A Maria Fumaça, jogando carvão nos olhos da gente, gerando vapor, ia arrastando pessoas e produtos. Todo o leite produzido na região, Valença, sempre uma expressiva bacia leiteira, rolava pelos trilhos até os grandes centros.

Os homens trabalhavam e o alimento estava garantido para a família, num tempo de menos enlatados, de menos conservantes. Ferroviários de todas as cores. De todas as idades. De sonhos. De compras para o Natal até então sem perus, sem panetones, sem tender. Já com, as esperadas, castanhas portuguesas.

Filhos de ferroviários, estudando nas ainda restritas escolas públicas municipais e estaduais.

A vida parecia tranquila e segura mas, como no... “Ovo da serpente”, um turbilhão se formava. Num país tão enorme começou a desabar a tempestade. Quase chega à derrocada quando as redes ferroviárias são desativadas. Abertura de estradas engolindo as matas, veículos produzindo gás carbônico suficiente para aumentar a temperatura universal. Mudanças climáticas, El Nino, tempestade, de gelos.

Miguel Pelegrinni, quero parabenizá-lo pela iniciativa de estabelecer uma profunda marca, ali perto da Rodoviária, do que foi um tempo alegre, um tempo mais lento porém de grande importância para a vida de uma cidade. Um ciclo!

Não é o único gol que você marca na nossa cidade. Pouca gente sabe ser da sua autoria a lei municipal criando a Fundação André Arcoverde – FAA, hoje, a grande mola sustentadora da economia, da ciência, da cultura, aqui entre nós.

Você foi muito persistente na sua vontade de marcar, para os valencianos, um momento, infelizmente perdido, ou da vida pulsante da Central do Brasil.

Você não teve pejo de esmolar recursos. Debateu a ideia. Viajou muito na busca de contatos. Quebrou indiferenças e não teve medo. Quem tem medo não realiza ...

Miguel, você é um brasileiro que merece o nosso respeito. Num momento em que a esquerda foi pro brejo, a direita foi pro brejo, os rios estão se reduzindo a brejos, as serras ficando carecas, você tenta deixar, explícito, um tempo de sucesso. Um Ciclo da história de Valença.

Que bom Miguel, o trem está chegando. Dele não desembarcarão nem pessoas nem produtos mas quem sabe o reaquecimento de nossa cidade. Nele pode chegar o adubo que precisamos usar: o adubo da união. Quem sabe, ainda, uma pitada só, de poderoso veneno que combata o marasmo e a indiferença. Que elimine as “igrejinhas” em que vivemos e estimule um trabalho conjunto, por Valença, que conecte todos nós.

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