Estilos Brasileiros: A Seresta

Edição: 336 Publicado por: Rafael Camacho em 11/04/2013 as 14:06

 
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O hábito de sair pelas ruas cantando e tocando violão é antigo: existem registros de que desde o ano de 1505, em Portugal e em toda Península Ibérica, era comum os homens cantarem músicas de caráter sentimental diante das casas de suas amadas ─ a chamada serenata.

No Brasil, assim como o choro e o samba, a seresta tem sua origem musical na Modinha, primeiro gênero genuinamente brasileiro surgido no século XVIII, que teve como primeiro expoente Domingos Caldas Barbosa. Em meados do século, com a temática romântica, porém moralmente ousada para a época, a Modinha chegou às cortes portuguesas levada pelo mulato carioca, tornando-se famosa em Lisboa. Com o sucesso feito em Portugal, a Modinha foi absorvida pelos compositores eruditos perdendo seu caráter popular, tornando-se uma música elitista de salão.

Mas, em meados do século XIX as serenatas ganharam mais força no Brasil, e as modinhas voltaram a pertencer ao âmbito popular, dividindo seu espaço com o Lundu e o recém nascido Choro. Nessa época destacou-se o poeta, livreiro e tipógrafo Francisco de Paula Brito, que possuía uma livraria no Centro do Rio de Janeiro onde se encontravam os intelectuais e compositores da época como Machado de Assis, José Alencar, Gonçalves de Magalhães, Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias e Laurindo Rabelo que tinham suas poesias musicadas e tocadas nas serenatas.

No final do século XIX, enquanto a serenata começava a se tornar seresta, um jovem boêmio, o baiano Xisto Bahia, ganhou destaque entre os seresteiros. Com sua voz abaritonada e uma personalidade cativante, Xisto viajou no eixo Rio - Bahia fazendo uma importante mediação entre as classes média e baixa da época, e, atualmente é considerado como o pioneiro das serestas.

A partir do final do século XIX e inicio do XX, a seresta se firmou no cenário popular Brasileiro, quando por volta de 1930 surgiram ícones no repertório seresteiro como Vicente Celestino, Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas e Orestes Barbosa, famosos pela interpretação operística de suas vozes.

O espírito boêmio e seu lirismo fizeram com que a seresta transcendesse às limitações de um único estilo musical, absorvendo em seu repertório modinhas, lundus, sambas canções, choros-canções, boleros, valsas e bossas novas, sendo o romantismo o seu denominador.

Hoje em dia, para quem planeja conhecer mais a cultura da seresta, existem destinos certos, e o principal deles é o distrito de Conservatória, situado em nossa cidade, onde além das serestas que acontecem regularmente, existe também o Museu da Seresta.

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