O Desmantelamento e a Desintegração do Brasil

Edição: 577 Publicado por: Marcelo A. Reis em 20/12/2017 as 08:43

 
Leitura sugerida

Caro leitor;

Há alguns anos, em um evento, coube-me proferir umas palavras sobre Portugal. Algo como a comum Pátria Mãe; as aventuras portuguesas e por aí... Inverti a lógica. Realcei que o grande feito luso, muito mais do que as navegações, era a unidade, a coesão da sua colônia na América. O Brasil é a Grande Saga! Um país do tamanho do Espírito Santo, conquista, mantém a integridade, expande e administra o Brasil.  As ondas migratórias, fossem as voluntárias, da Europa e da Ásia, o tráfico de escravos e o convívio com os indígenas trouxeram importantes contribuições, mas a espinha dorsal da nossa identidade é portuguesa. Os acréscimos dos imigrantes e dos nativos tinham no idioma, na culinária, na religião; na cultura portuguesa o elemento referencial, o catalisador que faria o amalgama do que somos. O propósito aqui é lançar ideias e questionamentos fazer reflexões, pensar além do dia seguinte; além dos próximos anos. O Brasil sempre teve como aspiração maior tornar-se uma potência. “O País do Futuro”. Mais que um bordão, é o sentimento interiorizado por cada cidadão. 

O marco zero do Brasil, como ideia de país, é a Insurreição Pernambucana que pôs fim à ocupação holandesa. As figuras de João Fernandes Vieira, Henrique Dias e Poti (Felipe Camarão) simbolizam a integração étnica, a fusão “racial” brasileira. As aspas não o são pela inexatidão científica, mas principalmente porque, entre nós, ainda que exista racismo tal nunca foi oficialmente assumido e a ideia de um país de todos é, ao menos, ideologicamente forte. A Batalha de Guararapes é, “de facto”, o momento de criação do Exército Brasileiro. É a afirmação do Estado, do Poder Nacional, ainda que fôssemos uma colônia. Ali já buscávamos uma identidade própria e uma projeção internacional. 

Saltando à frente, vemos dom João VI, Pedro I, Pedro II e os presidentes da República, com destaque os presidentes Getúlio Vargas, JK e os generais presidentes seguindo uma linha muito clara de afirmação. Havia uma política de Estado que, como seria natural, transcendia os governos. À guisa de exemplos, temos as articulações do presidente Vargas, no Estado Novo, negociando o engajamento no esforço de guerra dos aliados. Acho que Vargas jamais imaginou alinhar-se ao Eixo; realista sabia que os americanos invadiriam o Nordeste, mas, sabedor de que para tal haveria um custo, soube negociar, tendo em mente o interesse nacional. Geisel, não hesitou em ser o Brasil o primeiro Estado a reconhecer a independência de Angola e o seu declarado “governo marxista-leninista”. Tal aconteceu por ver que o novo país confronta-se conosco no “Lago” do Atlântico Sul, região vital para nós. O controle de tal área nos fez aproximar da África Ocidental. O pragmatismo e o não imediatismo são bases de uma política de Estado. Assim, os Estados Unidos, a China, a Alemanha, a Rússia, o Japão, a França, a Inglaterra, a Coreia do Sul e outros países desenvolvidos, e mesmo os menos avançados como a Índia, o fazem. Discutem, projetam cenários de longo prazo, 2050, 60 e, mesmo, 2100, e atuam em função dos objetivos definidos. 

A unidade nacional é uma cláusula pétrea da Constituição e nos cabe interiorizá-la. No entanto falta um norteamento. A falta de uma política de Estado que defina as prioridades, metas, objetivos permanentes, parâmetros de avaliação estão levando o país para a desintegração, para o desmantelamento. Não exagero. Veja que no auge da pior crise o que mais se vê são grupos querendo manter e ampliar os seus privilégios. Pela enésima milionésima vez cito a frase do meu amigo Ayrton Aguiar, o “Filósofo Sobralense”, referindo-se aos políticos de Sobral: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Assim estamos. A máquina de governo desmantelada. A quadrilha que, de Brasília, domina o Brasil age/reage, com a intenção de manter o poder pelo poder. Falam em reforma da previdência que só teria credibilidade se conduzida por pessoas cuja honradez estivesse acima de qualquer suspeita. 

Como acreditar em um governante que recebia o Josley, agora chamado de bandido, de madrugada, fora de agenda em sua residência oficial e mantinham conversas de parceiros, de cúmplice?

Como acreditar em um governante que tem processo suspenso graças ao fato de estar “blindado” pela Câmara com a ostensiva e descarada compra de deputados venais e ordinários?

Como acreditar em um governante que, com o Joesley, mantém conversas nada republicanas no sentido de manter o Eduardo Cunha calado?

Como acreditar em um governante que recebia o Eduardo Cunha, de quem procura a imagem afastar, com a maior cordialidade, também fora de agenda?

Como acreditar em um governante que orienta o Loures apanhar a mala com quinhentos mil reais? 

Quem é o dono dos quinhentos mil? Seria descabido suspeitar do “prisidenti” como o principal beneficiário?

Como acreditar em um governante que, ainda como vice-presidente no governo Dilma, foi o padrinho da nomeação do Gedel Vieira Lima, o das malas com R$ 51 milhões, na Caixa Econômica e tão logo sentou-se no Palácio do Planalto o pôs colado com ele como um poderoso ministro do Governo?

Como acreditar em um governante que tinha como seu porta voz na Câmara, agora promovido a ministro, encarregado da articulação política, o chefe da tropa de choque do Eduardo Cunha? 

Em nossas antigas conversas dizia que era uma guerra de quadrilhas. Reafirmo.

Agora vendem o país na Bacia das Almas. Os de sempre e mais a China, com fome voraz, chegam para levar tudo. Estes estão ali do outro lado; na África. Nos tiraram de lá. 

Esperar o que de um governo em que os principais asseclas do “temer” ou estão presos ou protegidos, “blindados” como moreira “ANGOTOX”frango, elizeu padilha e tantos similares?

Nada! Deste (des)governo não há o que de positivo esperar!

Assusto-me ao ver, em diversos pontos do Brasil as pessoas falando em separação!

Assusto-me ao ver por todo país um quadro de completa falta de decoro nos mais elevados cargos federais, estaduais e municipais. 

Assusto me ao ver o Tóffolli (Ministro do STF e duas vezes reprovado em concurso para juiz de Primeira Instância), com a maior sem cerimônia, pedir vistas de um processo já com a votação definida, apenas para obstá-lo.

Assusto-me ao ver o Gilmar Merdes agir como um advogado de interesses subalternos e nunca ser chamado às falas. 

Assusto-me em ver as negociações no parlamento saírem do seu curso normal e transformarem-se em uma feira livre de oportunidades escusas.

Há anos peço um Governo de consenso, de União Nacional, de Salvação Nacional, fundado em um Projeto Nacional emergencial e, também, de longo/longuíssimo prazo.

É querer muito?

Claro que é! Com a turma que aí está...

Depois querem prender o general Mourão que, em ambiente fechado, restrito, falou o que todo brasileiro sério, patriota, nacionalista sente, pensa.

A continuar assim, repito, marchamos para uma ruptura.

Tenho certeza que as Forças Armadas não assistirão inertes ao desmantelamento e à desintegração do Brasil.

Até a próxima;

Feliz Natal!

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...