Bye Bye 2017

Edição: 577 Publicado por: Gilberto Monteiro em 20/12/2017 as 09:38

 
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“ É preciso voltar à origem ou, pelo menos ao passado para refletir sobre o momento”

No Teatro Opinião, nos negros tempos da ditadura militar, Maria Bethania era a principal figurante da peça-show “Brasileiro profissão esperança”. Quase chorando ela cantava Carcará (aquela ave agourenta lá do Nordeste que, em anos de seca, aparecia e devorava tudo, até a esperança dos homens). Um espetáculo que dava medo.

Já num passado mais distante, anos 40, 50, o medo das crianças, principalmente, as da zona rural era povoado de monstros e assombrações que eram muitos: a Mula sem cabeça, o Lobisomem. Até, de se atravessar, debaixo do arco-íris existia o medo, medo de mudar de sexo.

Reforçando tudo um programa de rádio denominado Incrível, Fantástico, Extraordinário relatava casos de assombração.

Andando no tempo vem o medo das guerras. A desgraça e o desamor gerados pela segunda guerra mundial nos deixaram marcas e expectativas ruins.

As relações frias e retaliativas entre Rússia e Estados Unidos eram fermento que nos amedrontavam. O medo da bomba atômica.

Ainda, pouco depois, antes da pílula anticoncepcional, o medo dos namorados, de uma gravidez, então considerada, tão abjeta. Hoje tão natural!

Por que essas considerações?

Estamos deixando para trás o ano 2017. Natal e Ano Novo no ar. Brindes, reuniões, votos trocados. Abraços trocados e frases de Feliz Natal! Feliz Ano Novo!

Ainda que a aparência seja de alegria todos estamos tomados de um sentimento de temor. Até melhor assim, temor, numa escala de valores (melhor desvalores) é menor que o medo.

Desnecessário seria esse temor se nós, seres humanos, trabalhássemos sempre a nossa essência,

A essência, aquela substância que, em mínimas porções, é colocada nos doces, nos bolos, nos biscoitos, tem uma participação especial: vai dar um toque que, ao mesmo tempo, impressiona o paladar e o olfato. Sempre atua na qualidade final do produto.

Nossa essência, se tivesse bula seria: boa para desenvolver a honestidade, a participação, o zelo com o que é público, o elã que podemos proporcionar.

No tempo em que as famílias eram estruturadas, educavam. No tempo em que a escola era fornida de professores reconhecidos, ensinava. Aí a essência vicejava de maneira mais intensa. Vicejava e florescia lançando sementes pelos campos afora. Ainda naquela época germinavam também os Lobões e Sarneis, gente sem essência que muito tem dado de maus exemplos. Talvez seus antepassados até tivessem estofo! Não podemos esquecer que a essência pode ser torpedeada pela genética e o DNA está sempre sujeito a mutações.

Amigos, estamos descambando para o que não devemos, agora. A época do ano nos induz a Paz!.

Feliz Natal e forças para todos nós. Que trabalhemos a nossa boa essência: mais participação e menos corpo mole, mais opinião e menos concordância, mais renúncia ao que nos chega de mão beijada, mais luta, de peito aberto, defendendo o que é decente; maior envolvimento no que é o certo para exaltá-lo. Ainda se for possível, se os corruptos deixarem, menos medo, menos temor!

Medo e temor precisam ser trabalhados e moderados, pois nos impedem de “quebrarmos a cara” nas nossas aventuras, por outro lado, se não vigiados, cerceiam o nosso avanço.

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