José Rodrigues da Cruz

Edição: 579 Publicado por: Rodrigo Magalhães em 10/01/2018 as 09:48

 
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Poucos moradores já ouviram falar de José Rodrigues da Cruz em Valença, onde aparentemente não existe monumento, praça ou qualquer rua relacionada a esse nome. Mas saibam que esse português natural de Lisboa é considerado o fundador da cidade. Proprietário de terras nas vizinhanças (“Fazenda de Nossa Senhora da Glória da Paraíba do Sul”, depois rebatizada de Fazenda Ubá), em 1789 esse abastado fazendeiro deu princípio à catequese e civilização dos índios que viviam entre os rios Paraíba e Preto, por ordem do Vice-Rei Luiz de Vasconcelos e Souza.

Na terceira geração de portugueses do ramo Avellar que migrou para o Brasil em meados do século 18 é que estava José Rodrigues da Cruz. Junto com um irmão e um cunhado montaram a “Companhia Comercial Avellar e Santos”, que se tornaria uma importante casa comercial do Rio de Janeiro. Em relação aos investimentos nas áreas rurais, a sociedade Avellar e Santos conseguiu reunir em terras um patrimônio de 17 sesmarias – cinco em Pau Grande, cinco em Ubá e sete em Guaribu. E, por muito tempo, foi José Rodrigues, possuidor de um terço da sociedade, o único a morar na fazenda Ubá com a mulher e os filhos. Além de se dedicar à administração das fazendas, atuou também como colonizador de terras e civilizador de índios a mando da Coroa portuguesa.

José Rodrigues foi o principal responsável pela criação do Aldeamento de Nossa Senhora da Glória de Valença. Ficou a cargo dele as atividades de identificação e reunião dos índios para a constituição da Aldeia de Valença (que, somente depois de sua morte, passou a ser administrada por Capitão Verneck e Padre Gomes Leal). Em recompensa, ganhou o cargo de Diretor dos Índios da região e, com a divisão dessas terras, ficou com a maior porção delas. Tornou-se assim esse importante fazendeiro possuidor de várias sesmarias também no território do município de Valença, entre as quais se destacava aquela que, “partindo do antigo sítio da Passagem, ia confinar com a Aldeia de Valença, na atual praça Visconde do Rio Prêto, canto da antiga rua dos Mineiros”.

Foi justamente por meio e por causa desses indígenas que José Rodrigues se aproximou de Francisco Dionísio Fortes Bustamante, membro de família igualmente rica (e também de origem portuguesa) que desde 1800 era Guarda-Mor de Rio Preto, onde havia se instalado na Fazenda Santa Clara, às margens do rio Preto. Houve uma verdadeira parceria entre esses dois prósperos fazendeiros do Vale do Rio Preto: visando terras, ouro e, principalmente, os índios. É que, na realidade, os seus negócios mais lucrativos concentravam-se em domesticar os índios para servirem de mão de obra em suas extensas fazendas, notadamente na extração do ouro. Era o chamado “ouro vermelho”, que nessas paragens à época era abundante, com predomínio dos Coroados.

Desse conluio participaria ainda, além do Diretor dos Índios (José Rodrigues) e do Guarda-mor (Francisco Dionísio), o comandante do Presídio de Rio Preto, Capitão Miguel Rodrigues da Costa, e o irmão deste, contratador proprietário do Registro do Rio Preto, Francisco Rodrigues da Costa. Essas quatro autoridades foram os principais “Senhores do Descoberto da Mantiqueira”, após a abertura do “Sertão Prohibido do Rio Preto” à mineração e povoamento.

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