Viajar é possível

Edição: 581 Publicado por: Marilda Vivas em 24/01/2018 as 08:57

 
Leitura sugerida

Vila Histórica de Mambucaba

Dar pastos às vistas. Eis aí um ditado popular que segui à risca, no último fim de semana, ao dar com os costados na Vila Histórica de Mambucaba, distrito de Angra dos Reis-RJ.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o processo de ocupação territorial do município de Angra dos Reis ocorreu poucos anos após a descoberta do Brasil. Mais exatamente, em 6 de janeiro de 1502, pelo navegador português Gonçalo Coelho.

Tendo diante de si uma imensa baía ou enseada (sinônimos de angra) pontilhada de ilhas paradisíacas, montanhas, rios e florestas alimentados por um mar profundamente azul e, em alusão ao dia consagrado aos Reis Magos, a denominação “Angra dos Reis” lhe soou perfeita.

E desde de então, graças à abundância de recursos naturais, à exuberância de sua paisagem e à localização geográfica, Angra dos Reis, sede e distritos, nunca mais deixou de atrair colonizadores e piratas de várias nacionalidades à região. Como diz Ancelmo Gois, com todo o respeito, naturalmente.

 

Registro oficial

A adoção oficial de Gonçalo Coelho como descobridor de Angra dos Reis é coisa recente. O martelo foi batido em 2002, durante a “Conferência dos 500 anos” de Angra dos Reis, promovida pela prefeitura. A revisão histórica, anunciada pelo almirante Max Justo Guedes, foi feita com base na fonte “Tratado Descritivo do Brasil”, de Gabriel Soares de Souza. Antes deste tratado o navegante André Gonçalves foi por muitos anos considerado o descobridor da Ilha Grande. Um pequeno descuido de minha parte e eu embarcaria nessa. Contudo, ainda quero ler para crer.

 

Triste verdade

Uma leitura rasteira e incipiente de minha parte bastou para comprovar as dificuldades que se tem em obter informações fidedignas que reproduzam a história local. A explicação encontro nos apontamentos do historiador angrense Alípio Mendes quando esse, ao registrar sua preocupação pelo modo como os documentos históricos eram guardados, faz a seguinte observação: “A história angrense é de difícil concatenação, dada à falta de documentos, pois, os manuscritos e mais papéis eclesiásticos, oficiais e particulares, foram quase totalmente destruídos pela ignorância dos homens, a inclemência do tempo e a voracidade das térmitas.”

Como se sabe, as térmitas (ou cupim) devoram, sem piedade, quaisquer documentos que venham a lhes apetecer o gosto (mesmo os históricos), causando-nos grandes prejuízos.   

 

Mambucaba

Mambucaba é uma bucólica vila litorânea, encravada entre o mar e a montanha, que talvez passasse despercebida se não tivesse seu conjunto arquitetônico e paisagístico tombado pelo IPHAN, em 1969.

O nome é de origem indígena e o significado original estaria relacionado à passagem ou abertura. Esta interpretação deriva do fato de que, subindo o rio de mesmo nome, se alcançava uma das trilhas usadas pelos índios Tamoio e Tupinambá para ultrapassar a Serra do Mar e chegar ao planalto paulista. 

 

Própolis versus Febre Amarela

Não há comprovação científica da eficácia do uso de própolis no combate à febre amarela. Entretanto, um texto disseminado no WhatsApp assegura que basta tomar umas poucas gotinhas diluídas em água ou suco para resolver o problema. No caso, a substância entraria na corrente sanguínea e o cheiro, expelido pelos poros, agiria como repelente, “os mosquitos não suportam o cheiro e não picam”, escrevem lá. Não é verdade.

Desconsiderar o processo digestivo e esperar que gotinhas diárias de própolis caiam na corrente sanguínea e botem o mosquito para correr não é a melhor das crenças. Além de não ser nada eficaz, corre-se o risco de enlouquecer a tireoide. O própolis, como se sabe, é conservado em iodo.

Que tal tomar a vacina? Utilize a pesquisa como fonte de conhecimento.

 

E aí?

Térmitas políticas existem? Existem. Aos montes. De norte ao sul de país e também por aqui. Estranha não.

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