O apagão geral

Edição: 337 Publicado por: Hélio Suzano em 18/04/2013 as 10:16

 
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Temos assistido nestas últimas semanas a grandes desatinos acontecendo simultaneamente à “epidemia” de dengue, ao lixo nas esquinas, à escuridão geral da cidade, ao estado geral de miserabilidade à qual Valença foi mergulhada. Quando se acreditava que a razão nortearia os discursos políticos, nos vemos outra vez açodados por atitudes bravateiras e sem lógica. Consequência direta da grande divisão estabelecida pelas últimas eleições. Sequer chegamos a cem dias de governo e já tem fogo amigo! Vereadores mudando discurso sem darem satisfação aos eleitores ou aos partidos. E todo este cenário de descompasso vai ganhando dramaticidade diante das questões políticas externas que prometem incendiar de vez a choupana.

Enquanto isto, no município, faz-se água por todos os lados. Mazelas antigas (guardadas no armário) persistem e se agravam num cenário de frustração geral da população. Parece difícil “parecer otimista” diante do quadro atual de crise que vivemos. Antigos problemas como a desqualificação da mão-de-obra, a falta de conhecimento básico para encarar os desafios do mercado de trabalho comprometem o futuro de Valença. O balcão de empregos acumula vagas sem preenchimento à vista. A construção civil patina na falta de bombeiros, azulejistas, carpinteiros, etc. O apagão de qualificação se mostra mais forte diante da oferta de vagas das indústrias.

A impressão que dá é que a população continua a esperar de forma subordinada e servil o surgimento de um “salvador da pátria” que nos guiará em meio ao vendaval que se projeta sobre a cidade. Continuamos nossas vidas burocratas acreditando que a responsabilidade é só dos políticos, esquecendo que na democracia a responsabilidade é de todos. Os conselhos municipais amargam reuniões esvaziadas pela indiferença da população. O mesmo ocorre com as associações de moradores que, para se reunirem, precisam recorrer a sorteios. Somos uma vergonha como cidadãos.

O interesse da população pela política se afasta na mesma proporção que o descrédito se aproxima. Enquanto isso, pessoas que poderiam estar produzindo politicamente, perdem-se em discursos jocosos e raivosos contra a situação, a oposição, contra todos. Preferem fincar residência do lado de fora a correr o risco das cobranças do lado de dentro.

De nada adianta ficarmos reféns de discursos inflamados de parte a parte. Tenho dito aos mais próximos que este é um momento de construir pontes e não trincheiras. Quando ouvimos sobre o tal “desvio de milhões”, imaginamos apuração rigorosa e pessoas algemadas. Mas o tempo passa sem que nada seja dito a respeito, e com ele vai a nossa crença na serenidade desta gente. Já dizia Tancredo Neves, “em política você não pode praticar temeridades (...). Ela, é a soma dos contrários”.

Precisamos aprender com os equívocos personalistas do passado. Boa-fé e voluntarismo bem intencionado não compensam o estrago que a política personalista dos “salvadores da pátria” provocou. Quando a população e os políticos tratarem as eleições como movimento democrático de participação coletiva que gera sentido à plenitude das realizações da sociedade, aí veremos a seriedade dos projetos ganhando corpo frente aos calores das paixões emocionais que vêm ditando a toada política há algumas décadas.

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