Aldeia das Cobras

Edição: 583 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 07/02/2018 as 10:49

 
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Os únicos habitantes do Sertão do Rio Preto, terras do Descoberto da Mantiqueira situadas nas vertentes do rio Preto, eram os índios, os quais haviam se instalado nessa região em data muito anterior à da penetração do homem branco nesses sertões. Estima-se que cerca de 1.400 índios constituíam a população humana da vertente sul da Serra da Mantiqueira até a bacia do rio Paraíba do lado do Vale do Rio Preto.

Acredita-se que nas últimas décadas do século XVII ocorreram os primeiros contatos dos bandeirantes paulistas com os índios que habitavam as florestas seculares e as matas virgens dessa região. Mas são das últimas décadas dos setecentos os primeiros registros dos “Indios dos Certões dalem do Rio Preto”, conforme foram chamados primeiramente. Há registro nessa região de uma “Aldeia de São Luis”, situada nas cabeceiras do rio Preto (Resende/RJ), de onde se deu “parte da saída dos índios e os mestiços”, em maio de 1793.

Mas de acordo com a tradição oral, muitas outras aldeias e mais alguns galhos indígenas também habitavam a região, muito embora se encontre pouca documentação a respeito (fonte primária). Algumas obras informam que, em Bom Jardim de Minas (Taboão), viviam os Puris; em Santa Rita de Jacutinga, os Pitás; em Conservatória, os Araris; no Vale do Rio Preto, os Taipurus; em Valença (cidade), os Purus; em Rio das Flores, os Taypurú; entre os rios Preto e Paraíba, os Bacumins; e, por fim, entre os rios Preto e Paraibuna, os Miritis.

Mas, de acordo com o francês Saint-Hilaire, a maior aldeia dessa população indígena selvagem se localizava nas proximidades de Pentagna, no local chamado à época de “Aldeia das Cobras”, que era habitada pelos famosos “Coroados do Rio Bonito”. Segundo ele, essa aldeia era situada a “2 léguas e meia de Valença, a uma légua do rio Bonito, num vale desenhado por colinas e separado de um lago unicamente pela estrada do Rio Preto”. Para se ter uma noção, com o início da colonização e catequização dos selvagens que habitavam essa aldeia, por volta de 1800, somente com os índios que de lá fugiram, estabeleceram-se quatro novas aldeias na região: “(...) Uns foram refugiar-se nas serras do Tunifel onde estabeleceram a seu modo a aldeasinha de Manoel Pereira, nome do cabeceira que para ali se encaminhou; outros nas margens do rio das Flôres fundaram a aldêa de Taypurú; outros nas margens do rio Bonito a de Ximinim e outros nas orlas de S. Fernando a aldêa de Tinguá”.

De fato, nas proximidades do antigo caminho para Rio Preto, entre Osório e Pentagna, permanecem sendo denominadas “das Cobras” uma fazenda e também um riacho, como resquícios indicativos da possível localização dessa famosa Aldeia que por ali existiu. Seria ali o marco zero do município de Valença?!

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