“Aldêa de N. S. Senhora da Glória de Valença”

Edição: 585 Publicado por: Rodrigo Magalhães em 21/02/2018 as 08:24

 
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Todos aqueles índios que aceitassem abandonar suas aldeias de origem e desistissem do seu modo de vida tradicional, sem oferecer resistência armada, passavam a ser considerados “índios de pazes” ou “índios amigos”; eram catequizados, batizados e aldeados em outras áreas, de onde eram periodicamente retirados para prestarem serviço aos colonizadores.

Tem-se registro de três aldeamentos promovidos na região do Sertão do Rio Preto: dois em Valença/RJ – “Aldêa de N. S. Senhora da Glória de Valença” (na parte central da atual cidade de Valença, formado pelos índios Coroados) e ”Aldêa de Santo Antônio do Rio Bonito” (no atual distrito de Conservatória, composto por índios Araris), e outro em Santa Rita de Jacutinga/MG - “Aldêa da Serra da Jacutinga” (próximo a atual cidade de Santa Rita de Jacutinga, habitado pelos temidos índios Puris).

Logo após o processo de aquartelamento, os índios dos aldeamentos começavam a ser batizados de forma mais sistemática. São poucos os registros de batismos existentes desses primeiros habitantes do território do Sertão do Rio Preto. Em 25 de maio de 1801 foi batizada em Rio Preto “Felícia Maria do Espírito do Santo, gentia do mato que por si pediu o batismo dizendo que nunca fora batizada”. Na mesma data foi batizada “Maria, de 10 anos, mais ou menos, filha natural da mesma Felícia”.

Mas de todos os aldeamentos promovidos na região, sem dúvida o de maior destaque é aquele onde se fundou uma capelinha em 1803 sob a invocação de Nossa Senhora da Glória (provavelmente por influência do Diretor dos Índios, José Rodrigues da Cruz, proprietário da Fazenda que já há alguns anos denominara de “Nossa Senhora da Glória da Paraíba do Sul”), tomando o nome de Valença em honra ao então vice-rei D. Fernando José de Portugal e Castro, descendentes dos nobres de Valença (Portugal).

E foi a formação desse aldeamento que deu origem à atual cidade de Valença. Nesse sentido, confirma o viajante inglês R. Walsh, que passou por Valença em dezembro de 1828 e assim registrou: “Trata-se originalmente de uma das aldeias onde se instalavam os índios catequisados”.

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