Marielle Franco

Edição: 589 Publicado por: Marilda Vivas em 21/03/2018 as 08:01

 
Leitura sugerida

Dela ouvi dizer por ocasião das últimas eleições. Primeiro, nas declarações de votos de antigos conhecidos meus. Depois, na comunicação festiva da eleição conquistada. E quase nada mais. Somente agora, após seu cruel assassinato, todo o desconhecimento que eu nutria a seu respeito, inclusive o desprendimento, a vocação e a determinação que pulsavam no brilho intenso do seu olhar, deu sentido pleno a esses votos. Diria um pouco mais. Diria que deu sentido à existência humana na face da Terra ao sacralizar a vida. E isso, ao que parece, em todas as searas em que se meteu. Seja na sua vida pessoal familiar, seja na sua vida profissional, seja na sua vida pública, a combativa vereadora sacralizou a vida. E assim sendo, fugiu da mediocridade que banaliza a vida.  Pessoas assim são pouco valorizadas na sociedade. Até pode ser. Mas, isso não é carga cerrada. Aos olhos de muitos Marielle deu seu recado ao mundo e apontou o quão grandes podemos ser. Como isso vai soar aos ouvidos vai depender da perspectiva que cada um faz para o seu horizonte.

 

Na cabeça não!

Quem são eles, os executores de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes? Quem pagou por esses crimes hediondos? Podemos dizer, a nós mesmos, que eles, os assassinos, vão passar? A despeito dos usos midiáticos e das tardias tentativas de controle do discurso encetados por manjado setor da imprensa escrita e falada do Brasil em torno da vida e obra de Marielle, e que ganha força ante a incapacidade moderna de dialogarmos nós mesmos e com o outro, eles não passarão. Aqui e ali, queiram ou não, são muitos os que, com determinação, constroem barreiras capazes de impedir o avanço do colapso de valores a que estamos submetidos.

 

Poucos foram os que banalizaram a morte de Claudia da Silva Ferreira arrastada por 350 metros por um carro da PM (16/3/2014) ou justificaram a comemoração da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, por exemplos. Ao contrário dos demais, seus rostos são reconhecidos de tão poucos que são. E se assim não nos parece isso é porque a mídia global oculta aquilo que não interessa ao sistema mostrar. Tudo o que ameaça o status quo, o pensamento único capitalista fica fora do noticiário. Sujeitos históricos como Marielle Franco simplesmente são ignorados até o momento em que seus passos são definitivamente detidos pela trajetória de um único tiro. Aí passa a existir.    

 

Quem sabe?

Um dia alguém saberá imortalizar, num único réquiem, a rosa e a lorca (cova) nascida e cavada na Maré. 

 

Opinião

A apropriação do assassinato para deslegitimar os direitos humanos e os esforços de despolitizar o crime não deverão prosperar.

 

Rodrigo Maia (DEM)

E não é que ele lançou sua pré-candidatura à presidência?  

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...