Lula-lá

Edição: 593 Publicado por: Gilberto Monteiro em 18/04/2018 as 08:49

 
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Ora um Jesus de bondade, outra um demônio de maldade. Às vezes, um cidadão carinhoso; outras vezes, animal perigoso. Agora, um amante caprichoso depois, um ser abjeto. Quase estranho.

A dualidade é inerente ao ser humano. Ela traz um comportamento que o outro, o interlocutor, nem sempre espera.

Felizes são aqueles, apesar de raros, que nunca se deixam levar por instantes de irritação, nem tampouco, por outros, de uma quase paz celestial. São pessoas que nos dão a ideia de equilíbrio, de educação, de estabilidade emocional. Aí ficamos, algumas vezes, na dúvida se são assim mesmo ou se tudo neles é fruto de um grande esforço ou de um grande medo de deixarem fluir a sua dualidade. Se assim for, a felicidade pressuposta não passa de uma desmesurada infelicidade. Vão se esforçando daqui e dali e acabam com a alcunha de “Maria vai com as outras” ou de “ Bombeiro”. Pessoas assim, também são duais, apenas vão tentando, para si mesmas e para os semelhantes, um mundo de vida menos atribulada, menos motivador de doenças, de atritos. Um mundo de menos violência, considerando-se, aqui, que, muitas vezes, uma resposta, um comentário eivado de difamação, um desdém, portam a mesma violência de um tiro certeiro na cara.

Infelizes mesmo, são os extremistas, os rancorosos ou aqueles que só buscam no próximo o apoio para suas ideias, e, principalmente o toque favorável no botãozinho da urna eletrônica.

Rancores e extremismos nascem na nossa dualidade.

Lula, como todo ser humano é dual. Se conseguiu de um lado tirar milhões de cidadãos da pobreza extrema, do outro, não conseguiu conter nos correligionários, nos apoiadores e nos amigos “os olhos maiores do que a barriga”. Amigos? Amigos, como José Dirceu e Palocci, citando apenas dois num universo de centenas ou de milhares deles; amigos que, mesmo ministros, continuavam praticando a corrupção, esses são amigos que o “diabo caga às dúzias e ainda fica com o rabo cheio”. E como é difícil vigiar ou tomar conta de ladrões, de corruptos!

A dualidade nos faz estar em luta constante, ora com a gente mesma e, quase paralelamente, com os outros. Luta que, muito disfarçadamente, nos leva ao radicalismo, onde mora o perigo, o insucesso, o empobrecimento.

Lula, na sua dualidade, foi capaz de lutar e vencer todo um sistema formado por uma elite que nunca observara o povo brasileiro nas suas imensas capacidades e necessidades. Uma elite altamente corrupta. Uma elite que, durante, e após a ditadura militar, ajudou a congelar a formação de líderes políticos novos.

Agora, no seu entrincheiramento lá no ABC Paulista, vem o outro lado da sua dualidade. É o lado ruim, que, sempre estimulado pelos adeptos criados com o fortificante do não raciocínio, acabou levando-o a praticar, sem nenhum ganho, um ato de desobediência civil. Como pode alguém que já foi tão líder, cometer tal ato? Qual o exemplo que fica?

A história de todos nós é sempre eivada de dualismos. Aqui mesmo, em Valença, isso sempre ocorreu, fortalecido pela opinião popular que “ mais torce pelo touro do que pelo toureiro”. As rivalidades, oriundas lá na dualidade, o Bem contra o mal, foi levando Valença, já em franco progresso, fomos até Município Modelo, para o retrocesso. A cidade é bonita, tem setores funcionando bem, já conheceu o progresso e a derrota em diferentes ciclos (do café, da indústria têxtil, da Central do Brasil) sempre conseguindo se soerguer.

É preciso deixar de lado as rivalidades e isso vem acontecendo. Atravessamos hoje o ciclo da educação superior e, quiçá, do turismo cultural.

Parece que, felizmente, viceja, agora, por aqui, um clima mais ameno em que mãos se dão: Estado, Município, FAA, Aciva e outros mais.

É um momento em que o lado bom da dualidade precisa ser bem trabalhado, e foi esse clima que não surgiu no momento de Lula se entregar. O ambiente era de revide, o que, em nada ajudaria a pessoa que no momento, era o ex-presidente, condenado, aceitando o lado ruim da sua dualidade. A dualidade é sempre indutora de radicalismos, de vieses individualistas. De fracasso. Um clima de mais amenidade, talvez gerado pelas dificuldades atravessadas, poderá nos levar a um novo sucesso. Quanto ao resto do passado, “até Maria Madalena foi perdoada”.

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