Em tempos de muita manifestação

Edição: 594 Publicado por: Redação em 25/04/2018 as 10:16

 
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Em tempos de muita manifestação e poucas certezas quanto a um futuro próspero, queremos nos manifestar a favor da sociedade ter voz sempre. Da mesma forma, torcemos para que, enfim, os investidos de poder saibam ouvir.

É fato, que na era da comunicação e da interatividade, as pessoas querem muito falar, mas pouco ouvir, observar e refletir. Portanto, lamentamos que o processo, tão rico e tão capaz de nos fazer evoluir, corra sempre o risco de capengar nas searas da intolerância das consciências que, ainda hoje, em pleno século XXI, não aceitam o que venha do outro, quando diverge de sua verdade absoluta.

Não defendemos aqui posições radicais e muito menos soluções que tenham por base o uso da força e da violência. Defendemos, isto sim, o diálogo, o entendimento, a compreensão, o respeito e a capacidade de avançar e crescer, ainda que debatendo apaixonadamente.

De certa forma, assim tem sido nossa trilha. Nem sempre querem nos ouvir ou nos respeitam, mas fazemos questão de ouvir a todos e de respeitar todo e qualquer posicionamento. Em nossas páginas, muita gente já se manifestou e teve respeitada sua opinião, mesmo que divergente ao entendimento, formulada pela própria linha editorial do jornal. Representantes da esquerda e da direita sempre tiveram espaços franqueados para expor suas opiniões sem que lhes fosse censurada uma letra sequer. Aqui se faz liberdade de expressão, mas é preciso que se tenha algo a dizer. Bater-nos ou nos censurar porque não dissemos ou não dizemos o que se “acha” que deveríamos dizer, é desperdiçar a inteligência de todos a sua volta, com a crença de que nós e todos a nossa volta somos manipuláveis ao extremo. Ao não o sermos, irritamos os críticos de plantão, cujo amargor de suas existências encontrou campo fértil no vale-tudo das redes sociais, que a tudo aceita calada, sem responsabilidade aparente.

Em nossa trajetória, acreditamos que, de certa forma, temos contribuído muito com a reconstrução de saudáveis relações entre as instituições e a população. Pois nos é perceptível que hoje ajudamos a construir um cenário bem diferente daquele de quando começamos, lá atrás, em 2006. Hoje, diferente de antes, extinguiram-se os jornais de ano eleitoral, assim como os de objetivos ofensivos e pontuais, visando achaques e chantagens políticas. Com nosso surgimento e sobretudo com nossa maneira diferenciada de atuar, desmoralizaram-se aqueles outros, das produções de objetivos curtos, pois que ficaram nus, diante de nossa forma de fazer jornalismo, com responsabilidade e aberto sempre ao contraponto. E ao não nos dobrarmos para usos rasteiros, temos sido agentes de uma fase em que agentes da desestabilização perderam espaço e a pouca e duvidosa credibilidade que ainda pudesse lhes restar. Angariamos, é claro, o ódio destes formadores de falsas impressões e, por outro lado, nem sempre tivemos o reconhecimento das instituições que se beneficiam deste momento ímpar de tranquila estabilidade para se trabalhar o reequilíbrio que nos leve a algum futuro.

Nós continuamos acreditando que há um futuro viável e que nós continuaremos a cumprir o nosso papel. Apesar do pouco reconhecimento público.

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