Medo da Chuva

Edição: 595 Publicado por: Kreitlon Pereira em 02/05/2018 as 11:04

 
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“The Rain” conta a história de dois irmãos e um grupo de sobreviventes em um cenário pós-apocalíptico

Chove em Vordinborg. A princípio, nada de anormal na nebulosa cidade dinamarquesa. Entretanto, um terrível vírus está se espalhando através da chuva e está prestes a infectar toda a Escandinávia. Para tentar sobreviver a essa epidemia, os irmãos Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen) são levados pelo pai para um “bunker” e ficam lá sozinhos por seis anos. Até que eles decidem sair e veem que o mundo mudou drasticamente durante esse período. É nesse cenário apocalíptico que se passa “The Rain”, primeira série dinamarquesa completamente original Netflix, com estreia marcada para 4 de maio.

Ao voltar para a superfície, os irmãos percebem que quase toda a população foi dizimada pelo vírus. Em busca de seu pai, que saiu do abrigo e nunca mais voltou, juntam-se a um grupo de não contaminados. Percebe-se facilmente que o instinto de sobrevivência domina o lado psicológico do grupo, o que justifica o comportamento animalesco dos membros. Não se pode demonstrar piedade perante infectados, nem pensar duas vezes antes de executá-los. “Não se molhe se quiser viver” é o lema de todos. Apesar disso, fica claro ao longo dos episódios que, apesar das duras circunstâncias, a essência humana ainda é perceptível. Embora muito inibido, ainda existe romance após o apocalipse.

Em um clima de tensão empolgante, a série promete aproveitar o formato dinâmico de episódios da Netflix para entrar no grupo das séries “impossíveis de se assistir a só um episódio”. A construção da narrativa, a ambientação e a qualidade das imagens criam uma imersão do espectador no ambiente, quase como se ele fosse parte do grupo de sobreviventes. “The Rain” não vai chegar na Netflix para ser mais uma das inúmeras produções originais do serviço de streaming. Tem boas chances de entrar para a lista das mais vistas e comentadas do ano.

 

Verdade nua e crua

Consagrada como uma das melhores séries de streaming em 2017, “Dear White People” retorna ainda mais direta para segunda temporada

Quatro meses após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, a Netflix inseriu no catálogo “Dear White People”, uma produção original que acompanha a história de um grupo de estudantes negros que enfrenta o racismo na Winchester University, uma faculdade de elite predominantemente branca. Ao retomar o enredo do filme homônimo que estreou em 2014, a série foi muito bem recebida pelo público por abordar com brutal honestidade assuntos que afetam a sociedade moderna. Com a segunda temporada datada para 4 de maio, pretende mudar um pouco sua linha narrativa, mas sem deixar de retratar seus personagens de maneira satírica e identificável.

A primeira temporada gira em torno das consequências geradas por uma confraternização organizada pelos alunos brancos de Winchester para “celebrar” a cultura negra, que evidencia a segregação racial presente na faculdade, tão denunciada por Sam (Logan Browning) em seu programa de rádio. Dispondo de mais dez episódios, a série irá continuar de onde parou, após um protesto mal sucedido e o incidente em que o guarda de segurança do campus aponta uma arma para Reggie (Marque Richardson) durante um desentendimento em uma festa. Além disso, Sam sofrerá com ataques odiosos de um perfil anônimo no Twitter. Já Lionel (DeRon Horton), um aspirante jornalista investigativo, começa a descobrir o quão profundas são as raízes da opressão na escola.

Na segunda temporada, “Dear White People” se propõe agora a tratar do racismo de forma mais crua e obscura, bem diferente da sátira apresentada na primeira, mas mantendo um certo alívio cômico muito bem oferecido por Joelle (Ashley Blaine Featherson), a melhor amiga de Sam. No entanto, a verdadeira magia da série está na maneira como trabalha seus personagens. Com cada episódio direcionado para um dos integrantes do elenco principal, suas histórias despertam a empatia da audiência. Através de suas críticas, a série abre os olhos de muitos para os preconceitos velados na sociedade.

 

Apenas negócios

“Diablo Guardián”, a nova produção da Amazon Prime Video, mergulha no mundo da sedução por dinheiro

No dia 4 de maio, chega à Amazon Prime Video a primeira produção original mexicana da plataforma: “Diablo Guardián”. A série é uma adaptação do premiado livro de mesmo nome de Xavier Velasco, com o qual venceu o Prêmio Alfaguara de Novela em 2003. É toda falada em espanhol, com legendas disponíveis em português, inglês e espanhol. Os dez episódios que compõem a primeira temporada são fruto de uma parceria feita entre a empresa de streaming e o estúdio de conteúdo premium da emissora mexicana Televisa, sendo o primeiro trabalho conjunto entre elas.

A história tem como protagonista Violeta, uma jovem que mora com os pais no México, mas é completamente fascinada pelo “american way of life”. Cansada de sua vida pacata, aos 15 anos ela rouba 100 mil dólares de seus pais e foge para Nova York. Lá, gasta todo o seu dinheiro em tempo recorde e recorre à sedução de homens em lobbies de hotéis luxuosos para conseguir sobreviver durante quatro anos. Sua trajetória é sempre acompanhada pelo jovem escritor Pig, que acaba por se tornar seu “Diablo Guardian” (guardião do diabo). A vida de Violeta muda completamente quando ela encontra com o vilão Nefastófeles. Depois de se ver presa nas garras dele, a protagonista vai fazer de tudo para recuperar sua liberdade.

O elenco é composto por Paulina Gaitan (Violeta), Andrés Almeida (Nefastófeles) e Adrián Ladrón (Pig). A atriz mexicana que dá vida à personagem principal é conhecida por filmes como “Sin nombre” e “Somos lo que hay”, assim como pelas séries “El Dandy” e “Narcos”, onde interpretou a esposa de Pablo Escobar no sucesso original da Netflix. A série é “Diablo Guardián” muito aguardada pela televisão mexicana devido à importância cultural da obra de Velasco na terra da tequila.

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