Agricultura e pecuária sustentável

Edição: 598 Publicado por: José Valter Lima Monteiro em 23/05/2018 as 08:39

 
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O sonho não está muito distante...

O grupo de oito produtores do qual faço parte, está realizando um projeto pioneiro aqui no município de Valença.

Estamos fazendo o tratamento homeopático no rebanho de leite e de corte, em parceria com a doutora Mônica. Estamos bastante satisfeitos com os resultados obtidos.

Principalmente por não usar medicamentos que deixam resíduos no leite e na carne.

Estamos realizando esse trabalho desde março de 2017. Nós nos reunirmos pelo menos uma vez por mês para tirar dúvidas e fazermos uma avaliação. A diminuição no uso de medicamentos convencionais foi grande. E a economia também. Outras medidas voltadas para melhorar o meio ambiente também estão sendo tomadas.

Estamos esperando a visita de fiscais da ABIO para avaliarem o trabalho do grupo e se tudo estiver de acordo certificar esses produtores como orgânicos. Não sei quanto tempo ainda levaremos para a certificação, mas vamos nos empenhar para conseguir.

Alguns dias atrás alguns de nós juntamente com a doutora Mônica procuramos o prefeito que nos recebeu quando pudemos apresentar o projeto. Fomos também à Câmara dos Vereadores onde fomos apresentados pelo vereador Pedro Graça. A doutora Mônica expôs o seu trabalho aos vereadores e parece que gostaram do projeto. Fizeram várias perguntas e considerações. Isso é muito importante para a divulgação do nosso trabalho.

Outros produtores do município devem procurar conhecer o projeto e participar dele. Futuramente, toda a produção deverá ser orgânica para o bem-estar de toda a população. Tudo o que produzirmos deverá ser limpo e livre de qualquer tipo de agrotóxico. Assim estaremos protegendo o meio ambiente e isso será muito benéfico para a saúde de todos e estaremos melhorando o planeta em que vivemos e que vamos deixar para as gerações futuras.

Doutora Mônica veio para mudar conceitos. Ela até já alugou uma propriedade para servir como projeto piloto.

Nossa produção há muitos anos usa métodos tradicionalistas e ficamos estagnados. E essas mudanças são para pessoas de cabeça aberta. São para ficar para o futuro.

Aqui na região onde moro tem um produtor de legumes, verduras e frutas que é certificado como orgânico, Luís Celso Duque. Em visita à sua propriedade pude constatar o belo trabalho que ele realiza. Tudo muito bem distribuído. Muito limpo e de ótima qualidade.

Até a água utilizada na irrigação é de excelente qualidade (direto da nascente).

Temos no município em torno de 2,4 mil propriedades rurais entre chácaras, sítios e fazendas. Destas 1,4 mil estão na produção de leite.

A atividade rural está entre as três maiores empregadoras e na geração de renda e emprego direto e indireto no município.

Produzimos em 2017 cerca de 32 milhões de litros de leite. Somente destas 1,4 mil propriedades na produção leiteira devemos gerar aproximadamente cinco mil postos de trabalho (seja familiar, parceiros seja empregados).

Precisamos de um secretário de Agricultura atuante que conheça os produtores e as propriedades. Que faça visitas periódicas para analisar o perfil de cada propriedade. Temos grande potencial para diversas atividades e esse modelo de trabalho, se realizado de forma séria e sistemática, poderá tirar Valença desta crise em que se encontra, com a diversificação da produção.

A Secretaria de Agricultura deveria ser ocupada por um técnico da Emater. Esses são capacitados e conhecem bem o potencial de cada propriedade e dos proprietários, mas precisam de veículo, de combustível de infraestrutura e que atenda a todos sem distinção.

O município tem potencial para turismo rural, produção de café, criação de abelhas, peixes, galinha caipira para produção de ovos e frangos, produção de palmito pupunha, hortifrutigranjeiros, aipim, cana de açúcar para fabricação de melado e rapadura, etc. Se tivermos uma boa orientação e apoio, voltaremos a ser o município modelo do Estado do Rio de Janeiro. A FAA poderia ser uma parceira também nessa empreitada.

Se produzirmos em escala, mandamos para o Ceasa, como era há quarenta anos atrás.

Valença tem inúmeros laticínios fabricando os mesmos tipos de queijos; por que não diversificar na fabricação de queijos finos e variados?

Mercado para isso tem.

Até a próxima.

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