“A Intervenção Política e a Guerra no Rio”

Edição: 598 Publicado por: Marco Santos em 23/05/2018 as 09:33

 
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Quando tomadas respaldadas em informações precisas e critérios técnicos têm maiores chances de êxito.

Não foi o caso do Rio de Janeiro.

Os militares sempre respaldam suas decisões em critérios técnicos e informações precisas.  Elas são materializadas em planos e programas resilientes.

O governo federal decidiu pela intervenção federal usando critérios essencialmente político-partidários.

Somente à guisa de comparação, os militares norte-americanos derrotaram as forças comunistas no sudeste asiático, mas foram derrotados politicamente no acordo de Paris e no front interno.

No caso Brasil,  era preciso, com urgência, retirar a pressão que a sociedade carioca, e  nacional,  como um todo,  exercia  sobre o governo do  PMDB no Rio de Janeiro e tentar mostrar alguma iniciativa, diante da gravidade da insegurança pública em vários estados da federação.

Por razões óbvias, o Rio foi selecionado.

É um estado cinquentenariamente dominado pelo crime organizado entranhado em suas instituições políticas e em alguns outros segmentos. Um ex-governador do PMDB está preso e o titular completamente fragilizado e acuado por graves acusações. Ambos do mesmo partido citado.

Nada melhor do que usar o Exército, instituição com maiores índices nacionais de credibilidade, na impossível missão de restaurar a ordem no Estado.

Mas não foram fornecidos os meios e as condições políticas e legais para ações mais efetivas contra o  complexo elemento adverso em presença.

Somente recentemente foram liberadas parte das verbas necessárias às operações planejadas.

O Comando da Intervenção tem, avalio, como principal objetivo, não piorar a situação caótica encontrada.

Não pode ter ali o seu Vietnã. 

Sim, porque se agir com a firmeza adequada, imperiosamente terá que matar. As reações serão imensas, fácil prever.

As forças adversas, nas várias facções de narcovarejo e crimes conexos contam com cerca de cinco mil membros nos presídios e talvez um efetivo pouco menor nas mais de oitocentas áreas conflagradas. Não inclui as milícias.

E não basta derrotar apenas esse espectro visível do CO. É importante destruir os núcleos político, financeiro (quem realmente manda), logístico e de gerenciamento de processos de apoio (propaganda e controle de narrativas) ao crime estruturado.

A redução de alguns índices de delitos, alcançada até o momento, será rapidamente superada caso não sejam atingidas as células citadas.

Matar o que se vê e quem é responsável pela violência explícita só levará à derrota política do governo e das Forças Armadas.

O Exército Brasileiro não pode ter seu Vietnã no front interno, nesta guerra assimétrica, típica de conflito de quinta geração.

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