Longe e perto

Edição: 599 Publicado por: Marilda Vivas em 30/05/2018 as 08:12

 
Leitura sugerida

Santa Maria

 Voltando ao tema “bairro Santa Maria”, que foi alvo de cinco leis municipais renomeando cada uma de suas cinco ruas (quando apenas uma era mais do que suficiente), obtive, na prefeitura de Valença, as seguintes informações: Santa Maria é a denominação de um loteamento legalizado na localidade do Cambota e de fácil acesso pela Estrada dos Machados (processo nº 9198, de 6//2003). Portanto, o vereador autor das leis deu uma tremenda varada n’água ao classificar de bairro uma localidade que não é. E nesse erro embarcaram todos: legislativo e executivo.

 

Outro dado

Em relação à duplicidade de denominação de logradouro, além da rua A (“rua das Orquídeas”) a rua E também recebeu o mesmo nome de outra rua localizada no Spalla 2: Rua dos Ipês, com uma única diferença: foi grafada com “y” e não com “i” – Ypês.

 

Por fim

O artigo 5º dessas leis soa estranho no ninho. Textualmente, ele revoga as disposições em contrário. Como as ruas estão sendo denominadas agora, não há nada para ser revogado. Que estipulação anterior e contrária poderia existir e precisasse ser revogada com essas novas leis? Nenhuma, por certo.

 

Raivosa, Marilda?

Por certo que sim. E por dois motivos, no mínimo. O primeiro, sem dúvida, por presenciar agentes públicos, bem remunerados, aprovarem leis indiferentes aos cuidados mínimos que se deve tomar. Cinco leis municipais para nomear ruas de um único loteamento, quando uma única lei resolveria o caso, é um escândalo na minha concepção. Essas leis, que serão anotadas em cada boletim de informação cadastral e em cada registro de imóvel, não delimitam, sequer, o início e o término de cada rua. Quem quiser saber, que olhe na planta. Isso é inconcebível para mim. Surreal. É fazer a lei pela lei e não pelo gosto de se fazer a lei para o cidadão dela melhor usufruir. Ego e vaidade talvez possam explicar isso. O segundo motivo, o que me abala profundamente, é o corporativismo irresponsável que em momentos como esse, faz com que nenhum outro vereador oriente, sugira ou conteste o que está sendo proposto na sua forma e conteúdo. Será que todos enxergam da mesma forma? Ou que em situações iguais criariam leis com os mesmos erros e deslizes? Não é possível. Alguém deve saber como se faz. Posso estar errada, e quem não erra, mas a ideia que me passam é de que o trabalho de um não pode sofrer censura de ninguém ali dentro – o que torna aquela Casa um poço de não me toques. Ora, a relação humana no ambiente de trabalho é pedagógica o tempo todo. Cabe àquele que sabe orientar, ensinar, conduzir. Aceitar ou não as sugestões é problema do outro. Ademais, por ser um ambiente sujeito a renovação de quatro em quatro anos, é preciso sair melhor do que quando entrou. Não apenas pela possibilidade de retorno mas, sobretudo, pela dádiva de poder ser espelho para quem assumir a vaga. Ser vereador não é tarefa fácil. Demanda sacrifícios, horas de estudo, adoção de posturas pedagógicas em relação aos pares, ao executivo e ao povo. Ser vereador é uma tarefa que o sujeito chama para si quando entende ter vocação e competência para executá-la. E se assim não for, faça com que se torne assim. E se ainda assim não for, bana fora pois, o máximo que vai conseguir será aprofundar as mazelas existentes na sociedade; potencializar as dores no ser humano. Jamais vou aceitar que uma casa legislativa se torne e mulamba, sem dar os meus pitacos. Agora é cancelar as leis e substituí-las por outra mais adequada. O importante é fazer com propriedade. Não há demérito algum.

 

Exposição de arte visual

Até o dia 26 de maio, o artista visual Ubiratan Lima estará expondo sua arte no 3º piso do Via Brasil Shopping, em Irajá (av. Itapera, 500). A mostra “Olhares do Rio de Janeiro” traz 11 telas criadas em óleo e acrílico que enaltecem a beleza natural da cidade do Rio de Janeiro, em cenas de cartões postais. Segundo me disse, será a saudade dos tempos em que morou no Rio o faz pintar quadros onde estes instantes estão representados. Portanto, a exposição não deixa de ser um reencontro com o Rio de Janeiro. Há alguns anos o artista reside em Valença.

 

Ubiratan possui bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, é professor de Arte diplomado pela Universidade Salgado de Oliveira, da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e do Atelier Paumar. O artista já realizou exposições no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, Espaço Cultural do BNDES, foi convidado para o Espaço Cultural Rio Scenarium, Salão de Arte do Forte do Leme e Salão de Arte do Forte de Copacabana. Sucesso. 

1 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...
avatar

Fernanda Monteiro em 12/06/2018 às 08:57 disse:

Marilda! Simplesmente sensacional!!! "Ser vereador não é tarefa fácil. Demanda sacrifícios, horas de estudo, adoção de posturas pedagógicas em relação aos pares, ao executivo e ao povo. Ser vereador é uma tarefa que o sujeito chama para si quando entende ter vocação e competência para executá-la. E se assim não for, faça com que se torne assim. E se ainda assim não for, bana fora pois, o máximo que vai conseguir será aprofundar as mazelas existentes na sociedade; potencializar as dores no ser humano. Jamais vou aceitar que uma casa legislativa se torne e mulamba, sem dar os meus pitacos. Agora é cancelar as leis e substituí-las por outra mais adequada. O importante é fazer com propriedade." Marilda disse o que muitos cidadãos valencianos pensam! Marilda Vivas me representa!!! Um grande abraço.
responder O comentário não representa a opinião do jornal! A responsabilidade é do autor da mensagem!
avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...