Rosas valencianas

Edição: 600 Publicado por: Solana Rovena em 06/06/2018 as 09:33

 
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Clementina de Jesus se destacou por sua voz, sua simpatia e simplicidade. Essa empatia e talento, que são unanimidade entre todos que a conheceram, permitiram maior contato com nossas raízes. Ela se tornou representante dos afrodescendentes brasileiros, ou seja, de todos nós.

Rosinha de Valença impressionou pelo seu talento precoce, por sua originalidade musical e por ser uma mulher que tocava violão em um meio dominado por talentosos violonistas homens.

Rosinha não só tocava violão com maestria como cantava, compunha, produzia e ensinava. Viveu a segunda fase da bossa nova e teve contato com diferentes culturas e estilos musicais.

Os artistas que conheciam Clementina também conheciam e admiravam Rosinha. Entre eles estão Turíbio Santos, Paulinho da Viola, João Bosco e Martinho da Vila. Sem separação entre zona sul e zona norte, as duas podiam frequentar qualquer roda que eram muito bem recebidas.

No samba, Clementina conheceu nomes como Pixinguinha, Cartola, Beth Carvalho, Elizeth Cardoso, Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres... Já Rosinha conheceu Baden Powell, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Sylvia Telles, Elis Regina, Miúcha, Sivuca, Sarah Vaughan...

As duas fizeram apresentações em programas de rádio, televisão, teatro e festivais. Também foram tema de matérias de revistas e jornais. Todavia, ao contrário de Clementina, não encontramos livros e documentários sobre Rosinha.

Em 1982, ano de inauguração do teatro que recebeu o nome de Rosinha, o Brasil ainda não tinha se despedido de Clementina, que faleceu aos 86 anos, devido a um derrame cerebral. Rosinha morava na França e estava de passagem pelo país para a inauguração.

Se Rosinha iniciou sua carreira ainda jovem, assim também se despediu dela e da vida, aos 63 anos, também por causa de um derrame cerebral, que antes a manteve em coma por doze anos. Essa tragédia a devolveu aos cuidados da família em sua cidade natal.

Dois talentos singulares. Em comum: o amor pela música. Duas rosas preciosas, uma de ouro e outra de prata. Uma senhora e uma jovem mulher. As duas vivendo nos tempos da censura e dos preconceitos ainda maiores com relação às diversidades. Tudo isso só faz aumentar a minha admiração, orgulho e respeito a essas duas mulheres valencianas que jamais serão esquecidas.

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