Caos

Edição: 601 Publicado por: Gilberto Monteiro em 13/06/2018 as 08:17

 
Leitura sugerida

Sinto uma vaidade, sadia, de pertencer a uma família rural que sempre produziu alimentos. Agora, me bate um orgulho, também sadio, ao ler, no Jornal Local de 31 de maio de 2018 o texto escrito por Luiz Miguel Ferreira Lopes Costa abordando a ação de um grupo, lá da roça, que se propõe a conquistar Certificação Orgânica para a produção de leite de qualidade.

A carta de Luiz Miguel é uma verdadeira Medalha de Ouro aos agricultores. Aquele Grupo é sim de produtores de alimentos! Sempre o foram, os pequenos produtores, que lá, em pequenas propriedades meio decadentes, produziam e eram o alvo de uma esquerda que nada gerava e que, agora, nos últimos anos vai nos levando ao caos. Naquela época eram atacados pela esquerda que usava contra eles a marca “fazendeiros”.

Tive uma rápida passagem pela política e experimentei, na pele, a implicância com o homem do campo. Discutindo um possível projeto sobre a criação de uma Escola de Laticínios que produzisse queijos, refinados e caros, a serem negociados em municípios não produtores de leite e com Turismo já implantado, ouvi de um vereador: - Você só pensa nos ricos.

Felizmente, nossa origem rural, tendo como patriarca Gilberto Monteiro, tem tido sucesso. O velho Gilberto quase autodidata, poeta talentoso, de Cultura ampla, incentivava no dia a dia: Estudar é preciso! É primordial! É necessário! É urgente!

Seus descendentes, agora na sexta geração enfrentaram problemas: as primeiras professoras que só tinham a terceira série primária e lecionavam numa única sala multisseriada impelindo as crianças a saírem de casa por volta dos nove anos; a ausência de energia elétrica (até hoje, a Light castiga, com longos cortes, o homem rural); longas caminhadas para atingir a escola numa região sem ônibus e consequentemente sem passe escolar.

Hoje, somos dezenas e dezenas de profissionais espalhados pelo Brasil e pelo mundo prestando serviços em diferentes áreas: na saúde, na educação, na pesquisa, na engenharia; no dia a dia de qualquer tarefa.

É claro que a opção do jovem deve, e precisa, ser respeitada e, o José Walter ao concluir a atual nona série retorna à roça e, agora, também recebe o seu Diploma de Produtor de alimentos. O artigo de Luís Miguel é um verdadeiro diploma aos produtores de alimentos.

José Walter é gente esforçada que ainda tem a coragem de expor suas ideias de cidadão, no Jornal Local. Vive na região dos Monteiros (nossos umbigos ficaram enterrados por lá) e dos Chaves. Desses lugares saíam, por semana, três a quatro caminhões de hortigranjeiros tais como: tomate, pepino, vagem e pimentão, para o Ceasa no Rio de Janeiro. Paralelamente uma produção ainda discreta de leite.

Fomos educados e encorajados em relação ao futuro. Nada deveria nos deter. Hoje temos um Marcelo, no Projeto Balde Cheio, patrocinado pela FAA; um Francis, acolhendo primos lá em Portugal; uma Júlia, médica tão corajosa; uma Camila com a coragem de praticar a adoção. Tantos e tantos outros. Uma Maria Eduarda, da quinta geração, 15 anos, neta de José Walter, do Colégio Arnor Vieira, Parapeúna, que, com outros colegas, conquistou medalhas de ouro e prata nas etapas estadual e nacional, respectivamente, na Olimpíada Brasileira de Física das escolas públicas.

Cada ramo, do velho tronco, e ele teve doze filhos, tem gente por aí, honestamente, prestando serviços. Também os agregados vão entrando no cordão e aqui minhas homenagens a José Maria de Novaes, cunhado recentemente falecido: técnico agrícola que tanto impulsionou pessoas rurais para a produção de alimentos onde existissem qualidade e produtividade. Seu sepultamento foi uma grande reunião de ruralistas, produtores de alimentos, tão abandonados pelo Poder Público.

Felizmente, enquanto existiram pessoas voltadas para o trabalho, para prestação de serviços de qualidade, famílias estruturadas e estudantes como os de Parapeúna e os de Santas Isabel de Rio Preto, igualmente premiados com medalhas, enquanto existirem coisas assim o caos não dominará o Brasil.

O trabalho, a juventude, a família e a educação serão sempre o grande antídoto para o caos.

Na Fliva, talvez tenha sido um dos momentos mais literários a apresentação do Grupo de Poesia liderado há vários anos por Beatriz de Oliveira.

A poesia, agora, em curva ascendente, feita de maneira mais espontânea, dizem ser a sustentação da alma e assim, somos, também, produtores de alimentos.

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