O presidente Jair Bolsonaro 

Edição: 601 Publicado por: Marcelo A. Reis em 13/06/2018 as 08:50

 
Leitura sugerida

Caro leitor;

Esta coluna, o nosso bate papo, não tem, ao menos em tese, posicionamento político/pessoal em relação a este ou a aquele homem público. Digo porque entendo que a análise para ser isenta, acurada não pode ter vinculação partidária. Tal não temos. Por outro lado, o nosso compromisso com a ética e a seriedade no trato da coisa pública, é, cada vez, mais forte. Entendo que em todos os partidos existem pessoas sérias e dotadas de espírito público, assim como em todas as agremiações existam pilantras. Claro que tem umas mais refinadas e especializadas. O MDB, que representou a aglutinação em torno de um projeto democrático que propiciasse a transição do regime autoritário para a Democracia, transformou-se em um antro, um covil de ladrões e bandidos dos mais variados naipes. Para não ser injusto, com os demais, reconheçamos que a dilapidação da coisa pública é generalizada. Desde 2014, 2015, digo aqui que, rodando pelos mais diversos lugares, ouvia, e ouço cada vez mais, que “no tempo dos militares era melhor”. Via, e vejo, tal como uma enorme frustração, desespero mesmo, do cidadão comum, do homem da rua com a destruição do seu país e com a degradação de suas condições. Nunca esposei a tomada do Poder pelos militares e qualquer solução fora do âmbito político. Várias vezes comentamos favoravelmente sobre a extraordinária obra de engenharia política que foi a “Abertura”, “lenta, gradual e segura”, na definição do general Geisel, e a Anistia, inspirada, nas palavras do general Figueiredo de que “lugar de brasileiro é no Brasil”. Ao elogiar os dois ex-presidentes, não diminuo Tancredo, Ulisses, Teotônio Vilela e tantos mais. Ao contrário, vi ali um alto grau de visão de Estado. A negociação de um “Reencontro da Família Brasileira” por estadistas na mais pura acepção da palavra. Todos cederam. A oposição e o governo. Se os militares tiveram que “engolir” a anistia para os que cometeram “crimes de sangue”, a oposição teve que “engolir” os excessos, os abusos da tortura. Lembro sempre que os espanhóis souberam “olvidar” as crueldades, uns dos outros, para seguirem em frente. Não existe um lado só de bons ou só de ruins. Temos bons e maus! O quadro geopolítico mundial, Pós 64, compreendia o embate entre duas propostas autoritárias. A que teve como consequência o regime militar e a que queria implantar a ditadura do proletariado. Referi-me diversas vezes à honestidade política e intelectual do Fernando Gabeira e do Daniel Arão Reis que sempre assumiram suas posições. Não dá para falar que a Mirian Leitão ou a ex-presidente Dilma lutavam em prol da Democracia e por isso foram presas. Pugnei, à saída da “Gerentona”, por um amplo pacto político, entre todas as forças partidárias, visando a uma consolidação do regime democrático. Não foi o que ocorreu. E ficamos nas mãos da pior quadrilha que já assenhorou-se da máquina pública! Gravitam em torno do ocupante da cadeira presidencial pessoas, incluindo ele próprio, que, em qualquer país sério, estariam com os bens confiscados e cumprindo pena de reclusão em regime fechado. Não é o que acontece. Vê o homem comum um “bundalelê” generalizado. O império da roubalheira, do desrespeito para com a coisa pública. É o país arrebentado e as quadrilhas locupletando-se. Em 2014 escrevi que os maiores propagandistas do autoritarismo eram os mais de um terço dos parlamentares envolvidos em maracutaias, os gilmares e tóffollis da vida no Judiciário, os gedel, serginho cabral, eduardo cunha e tantos mais. O desespero toma conta...

O deputado Jair Messias Bolsonaro é um homem comum. Filho de classe média baixa, seu pai, com muitos filhos, era um protético da região de Campinas que transferiu-se para a o Vale do Ribeira, próximo da divisa com o Paraná. Bolsonaro e o irmão Renato, ingressaram e fizeram carreira no Exército. Note-se que, até a data, não se conhece ato/fato que o envolva, ou aos seus filhos, em corrupção. Soube, há muito veicular, os valores e o sentimento conservador das brasileiras/brasileiros médios. Não vem do setor escravocrata que há mais de quinhentos domina o Brasil, mas da instituição em que o brasileiro comum mais confia. O Exército! Não é “aécim” Neves, “rodriguim” Maia, barbalhos/barbalhas, lobões/loba/lobinhos.

Contei todo o acima, NÃO como declaração de voto, mas para mostrar o porque, desde quando ele iniciou a sua caminhada, vimos dizendo que o cidadão Jair Messias Bolsonaro será o próximo presidente da República.

Só a fraude eleitoral tira-lhe a eleição!

Até a próxima.

1 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...
avatar

José Ricardo de Almeida em 14/06/2018 às 08:39 disse:

Sábias palavras. O chamado "Golpe de 64" foi um mal necessário pois o País passava por uma anarquia sem precedentes, com aproveitadores (os empreiteiros já faziam a festa com Jango, por exemplo), e que seria provisório. Só que, em uma filosofia de ovo e galinha (quem veio primeiro?), teve que promover uma guerra suja (não, ninguém era santo) contra os alucinados "embaixadores" de Fidel e de Mao (ressalte-se que não eram apoiados pelos comunistas históricos (leia-se Prestes) e nem pela então URSS, de tão aloprados que eram). Mas o grande e inesquecível Geisel soube abaixar a bola dos fãs de Pinochet, embora administrativamente seu governo não tenha sido lá essas coisas....), embora tenha havido alguns erros (Herzorg, Fiel Filho). Fui às ruas pelas diretas já, pedindo por democracia. Via Tancredo, Teotônio nos palanques e sonhava com o futuro. Hoje vamos à rua para pedir para roubarem menos. É para isso que lutamos? Cético, observo que não resta opção a não ser Bolsonaro, por exclusão, ressalte-se. Não por vontade. Mas saibam que, se eleito for, não terá vida fácil, e terá que ceder à quadrilha do Congresso. Não tenhamos ilusões. Com uma Constituição "pilantra" como a nossa (poder e privilégios ao Congresso) não resta esperança.
responder O comentário não representa a opinião do jornal! A responsabilidade é do autor da mensagem!
avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...