O marechal Costa e Silva, o vice Pedro Aleixo e o guarda

Edição: 602 Publicado por: Marcelo A. Reis em 20/06/2018 as 08:38

 
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Caro leitor;

Na assinatura do Ato Institucional, o vice Pedro Aleixo, um liberal, resistia em assinar. Violava-lhe os valores. Costa e Silva pergunta-lhe, amistosa e incisivamente; “Dr. Pedro o senhor não confia no seu presidente?”. Este responde: “Em V. Excia confio, mas temo pelos poderes que o senhor está concedendo ao guarda da esquina.”

Sábias palavras! Vivemos a “Ditadura do Mandarinato” que se transmite pela cadeia administrativa. Há muito cunhei a expressão “Ditadura do Guichê”. Relato um incidente ocorrido comigo. Faço não como protesto ou cobrança. Tal o farei pelos canais administrativos e na forma da lei, mas como um alerta, um fraterno alerta, a todos que aqui vivemos e ao nosso prefeito Fernandinho Graça, uma pessoa que destaca-se pela civilidade e cortesia no trato.

Estacionei na vaga de “Carga e Descarga”, ao lado da feira, com o pisca alerta ligado e fiquei em pé ao lado do carro aguardando o comerciante que traria os queijos que levaria para filhos, parentes e amigos no Rio, que sempre encomendam “produtos da roça”. Sou chamado à atenção, de forma ríspida, por um guarda municipal que, de dentro da viatura, diz que era privativa de carga e descarga. Explico que era o que estava fazendo. Estaciona a viatura e, acompanhado por mais três colegas de farda, vem ao meu encontro e solicita-me a nota fiscal. Respondo que virá com os produtos, como posteriormente, alguns minutos após, vieram. Diz que “está errado, já tinha que estar aqui com Você”. O popular “Baixinho” chega com os produtos e diz que vai buscar o restante e que emitirá a citada “Nota”. Peço-lhe fazer de imediato. Emitiu o documento. A “autoridade” deita falação. Diz que a nota tinha que ser emitida eletronicamente... Peço que autue porque iria, como vou, recorrer. Não tinha o talonário oficial! Foi providenciado, no trailer da Guarda, por um dos seus acompanhantes. Digo que gostaria de receber dele o mesmo tratamento formal que lhe dispensava. Diz não ser obrigado a chamar-me de senhor; que lhe mostre “onde está escrito que tenho que chamar Você de senhor”. Continuei a conceder-lhe senhoria e receber a não senhoria, mesmo tendo idade para ser pai dele e de qualquer um da equipe.

Fui a mais alta autoridade de Trânsito do Estado, e da cidade do Rio de Janeiro. Reboquei o carro oficial do vice-governador e o particular do governador por estacionamento irregular. Sou a favor de que tenha-se uma postura rígida em relação à infração. Nos EUA e na Europa, as autoridades exercem suas funções com rigor e firmeza e, ao mesmo tempo, com cavalheirismo e distinção. Esta é a “chave”. Rigor não significa, prepotência, arbítrio e grosseria, muito pelo contrário. Há que ter o agente serenidade e tranquilidade.

É importante que uma cidade acolhedora e pacífica como a nossa não tenha a sua hospitalidade e carinho perturbados por aqueles, exatamente, que nos devem prover a sensação de paz e segurança.

Não citei o nome da “autoridade” porque não quero, aqui, “fulanizar” o assunto e, principalmente, por parecer-me estarem, isto sim, mal treinados e mal orientados.

Pensei e pergunto: fosse um PPP - Preto, Pardo ou Pobre o que não teriam feito? Em que nível de arbitrariedade teriam chegado?

É hora de, aprendermos com eventuais falhas, corrigirmos o rumo e aprimorarmos a qualidade.

É hora de o prefeito determinar uma correta orientação ao guarda da esquina.

O doutor Pedro Aleixo tinha razão!

Até a próxima.

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