De tudo um pouco

Edição: 602 Publicado por: Kreitlon Pereira em 21/06/2018 as 08:03

 
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Homossexualidade é um assunto delicado. Não existe um conceito binário para se classificar e o processo de descoberta é muito complicado e volátil. Além disso, o procedimento de se assumir como homossexual – normalmente expresso através do eufemismo “sair do armário” – às vezes representa um grande problema para muitas pessoas, seja por questões familiares, religiosas ou políticas. Para discutir a respeito dessas dificuldades que atormentam muitas pessoas estreia na Netflix o filme “Gostos e Cores”, produção francesa original que estreia na plataforma dia 24 de junho.

A comédia tem como protagonista Simone (Sarah Stern), que está há três anos em um relacionamento com uma mulher, mas sem se assumir para a família conservadora. Entretanto, quando Simone finalmente decide contar para os pais de sua opção sexual, ela acaba conhecendo Wali (Jean-Christophe Folly), um chef senegalês. Aí todas as suas certezas vão por água abaixo. Com isso, a atrapalhada protagonista começa a se questionar se é realmente gay. Além disso, mesmo se decidir ficar com Wali, ainda tem que contar para a família que seu namorado é negro. No decorrer do filme, as “pisadas na bola” de Simone acabam por dar um tom mais leve a assuntos difíceis de se abordar.

Muitos filmes já retrataram a temática de amor impossível, no qual os apaixonados protagonistas lidam com as dificuldades de se manter um romance proibido. Entretanto, o diferencial de “Gostos e Cores”, como já sugere o título, são os dois temas abordados simultaneamente: racismo e homofobia. A produção francesa inova ao representar, por meio das dúvidas amorosas de Simone, boa parte dos questionamentos de quem tem receio de explicitar à família sobre algum relacionamento. Curiosamente, o título em inglês da produção, “To Each, Her Own”, é homônimo de uma produção parecida. O filme lançado em 2008 também conta a história de uma mulher que tem dificuldades para se assumir para a família.

 

Caso mal resolvido

“Us and Them” chega à Netflix para criticar a busca pelo sucesso ditada pela sociedade chinesa através dos relacionamentos modernos

Com um sucesso quase instantâneo na China, o filme “Us and Them” arrecadou mais de um bilhão de yuans (US$ 45,5 milhões) em duas semanas e transformou a novata Rene Liu na diretora feminina com a maior bilheteria em um filme chinês. A par dos números alcançados pela produção, a Netflix garantiu seus direitos de reprodução, o que não deixa de ser irônico, tendo em vista que a plataforma de streaming é bloqueada no país. O filme se juntará ao catálogo da Netflix dia 22 de junho com o objetivo de reproduzir no resto do mundo as conquistas da estreia.

“Us and Them” acompanha as reviravoltas amorosas entre Jianqing (Jing Boran) e Xiaoxiao (Zhou Dongyu) enquanto os dois jovens tentam obter sucesso na lotada cidade de Pequim. Durante o agitado período de chunyun, em que milhões de chineses se deslocam pelo país para o ano novo, dois estranhos se conhecem em um trem a caminho para casa e passam a compartilhar um objetivo: ganhar o reconhecimento da família. Para isso, Xiaoxiao deseja obter o hukou, uma espécie de passaporte chinês que permite aos cidadãos urbanos direitos negados nas áreas rurais. Enquanto isso, Jianqing procura formas de desenvolver seu próprio videogame e com isso conseguir muito dinheiro.

Porém a realidade atinge fortemente os dois, que passam a dividir um quarto minúsculo e uma loja de softwares pirateados e pornografia japonesa. Em meio às dificuldades, o amor compartilhado por Jianqing e Xiaoxiao sucumbe às pressões da sociedade e eles terminam o relacionamento. Passados dez anos, o antigo casal se encontra novamente em um avião. Porém, agora eles não são mais estranhos com sonhos para o futuro, mas duas pessoas que atingiram seus objetivos profissionais – e, mesmo assim, não se sentem realizadas. “Us and Them” utiliza-se de uma história de amor para expor a sociedade chinesa em sua busca por sucesso e perfeição, tão obsessiva que acaba por condenar a própria felicidade.

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