Leite orgânico; algumas considerações

Edição: 604 Publicado por: José Valter Lima Monteiro em 04/07/2018 as 09:23

 
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“Associação de Produtores de Leite com base Agroecológica” esse é o nome da Associação recém-criada, já registrada, com CGC, estatuto etc. da qual faço parte.

Já estamos começando a colher alguns frutos com a persistência da Dra. Mônica pesquisadora que corre atrás dos nossos interesses, fazendo contatos na Secretaria de Agricultura do Estado, bem como no Rio Rural. E onde quer que for preciso, ela está junto.

Em Valença, temos também a Emater Rio, que tem nos ajudado muito com projetos bem elaborados.

Pela Associação conseguimos através do Rio Rural, em parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio e o Banco Mundial, um trator New Holland 4X4, zero quilômetro, uma carreta metálica hidráulica de seis metros cúbicos e uma ensiladeira JF 120 de boca dupla (de última geração) que colhe tanto milho em linha como capim. E nós, os associados, demos uma contrapartida de apenas 20%, divididos entre nós. Uma grande conquista!

E ainda recebemos uma pequena verba para implantação de fossas sépticas em nossas casas e tanques de captação dos dejetos dos currais (chorume) que misturados com água serão lançados com bomba elétrica nas respectivas capineiras e pastagens. E mais uma verba para proteção de nascentes com cerca de quatro fios de arame farpado num quadrado de cinquenta por cinquenta metros.

Estamos plantando o capim capiaçu, que é um cruzamento do capim napier com o napier roxo, resultado de pesquisa desenvolvida pela Embrapa, durante vinte anos. Esse capim é igual ao milho em teor de proteína e um pouco menos de energia, mas tem boa palatabilidade e é perene. Esse capim, se bem manejado, rende cerca de trezentas toneladas/ano/hectare, com topo de cortes para ser ensilado a cada 75 a 120 dias.

A cultura do milho está onerando muito o produtor e dando muitas pragas e doenças. Uma vez que as sementes são caras e os custos com a cultura muito altos. E tem que ser plantado duas vezes ao ano. A safra e a safrinha. Se tudo correr bem consegue-se uma média de quarenta a cinquenta toneladas/ha por safra e a safrinha vinte a trinta toneladas/ha. E dependendo muito do fator clima.

No processo de transição para o orgânico não podemos usar milho transgênico que é mais resistente a pragas e doenças, nem herbicidas, inseticidas ou adubação química, somente matéria orgânica. Por isso, o capim capiaçu é uma alternativa viável.

Começamos a plantação do capiaçu, em outubro de 2017. A partir de uma pequena quantidade de mudas doadas pelo senhor Adão “Tomateiro”, produtor rural em Massambará (Vassouras), e fizemos um pequeno viveiro. Agora, desse viveiro já conseguimos plantar 1,5 hectare e estamos muito satisfeitos com o seu desenvolvimento. Em outubro próximo, queremos dobrar o tamanho da área.

São as alternativas que encontramos para compensar a defasagem do preço do litro de leite.

Se o Município tivesse uma Secretaria de Agricultura bem estruturada e atuante, projetos como este poderiam ser multiplicados em diversas regiões do município atingindo um número muito maior de produtores beneficiados e alavancando a agropecuária. Fica a dica...

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