Condessa de Cambolas e Marquesa de Palarim

Edição: 611 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 22/08/2018 as 11:09

 
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Entre as mais prestigiadas e comentadas personagens da historiografia valenciana, destaca-se Estêvão Ribeiro de Resende, sucessivamente barão, visconde e marquês de Valença, com grandeza, que era dono da famosa Fazenda das Coroas. Tal era o prestígio do Marquês de Valença que uma de suas filhas, D. Amélia de Souza Resende (ou Francisca Leopoldina de Souza Resende, conforme consta em alguns registros), casou-se com um mui nobre titular francês: Conde de Cambolas e Marquês de Palarim.

Em 1860, Francisca foi com sua mãe e irmãs residir na França. Lá, conheceu e se casou em 1865 com o então Conde de Cambolas. Após a morte de seu marido em 1889, regressou ao Brasil e residiu entre o Rio de Janeiro e a Fazenda das Coroas. A partir de 1895 passou a administrar essa fazenda, habitando a suntuosa casa sede onde recebia os comerciantes com quem mantinha negócios, como o imigrante italiano Valentim Contrucci, um destacado financista e comerciante do Barreado, que àquela época contava com cerca de dois mil habitantes e era um dos principais distritos de Rio Preto. Em seus diários, escritos entre 1895 e 1899, Contrucci cita a Marquesa de Cambolas como residindo na Fazenda das Coroas, onde se encontravam com frequência, no período entre 1895 e 1898.

Em 1898, a Marquesa já era proprietária também da imponente Fazenda São Luiz, em Parapeúna. Consta, ainda, no Cartório de Registro de Imóveis de Rio Preto que “Amélia de Souza Resende – Condessa de Cambolas e Marquesa de Palarim era a proprietária da Fazenda de Coroas, lado mineiro (Rio Preto/MG), comprada em 02/01/1899”.

Com propriedades em ambas as margens do rio Preto e detentora do mais alto título nobre do Vale do Café, a Marquesa de Cambolas se tornou a principal personagem das sociedades valenciana e riopretana, e a figura feminina de maior destaque nessa importante região cafelista brasileira entre o final do século XIX e início do século XX. Na verdade, alguns registros dão conta de que o seu prestígio extrapolava a região em que vivia, como por exemplo, o fato de a Marquesa de Cambolas ter sido eleita a presidente da comissão de arrecadação de fundos para a construção de um convento no centro da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Por tudo isso, sem dúvida a Marquesa de Cambolas e Condessa de Palarin é mais uma personagem perdida da historiografia regional que merece ser resgatada!

1 comentários

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José Almeida em 07/12/2018 às 13:37 disse:

Ao que parece, depois dela, o núcleo principal da Fazenda das Coroas ficou com o sobrinho, Ernesto de Souza Resende, filho do Segundo Barão de Valença, Pedro de Souza Resende. E ela trouxe uma francesa, sobrinha do marido, Lydie de VIGNES de PUYLAROQUE, para passar uns tempos com ela, na fazenda. Quem poderia supor essa ligação do Barreado (onde meu avô morou por mais de 50 anos) com a nobreza francesa......
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