Cultura Incendiada

Edição: 613 Publicado por: Marilda Vivas em 05/09/2018 as 09:07

 
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O Museu Nacional, primeira instituição científica do país, completou 200 anos em junho de 2018. No último domingo, um incêndio de grandes proporções consumiu boa parte daquele que foi o maior museu de história natural e antropológica da América Latina.

Desde 2015 que a direção do Museu Nacional aguardava a liberação de recursos do BNDES, para a execução de um projeto de revitalização orçado em R$ 20 milhões. Na visão do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, cerca de 2,5 milhões desse valor já teriam sido suficientes para evitar a tragédia.

Assim como o Arquivo Nacional e diversas instituições de ensino universitário no país, a UFRJ, responsável pela gestão do museu, teve cortes orçamentários que também impactaram o Museu Nacional. Devido a problemas financeiros, o Museu lançou uma campanha de financiamento coletivo No Mundo do Maxakalisaurus que teve como objetivo de arrecadar verba para reabrir a sala do primeiro dinossauro montado no Brasil. Não precisa dizer mais nada.

 

Certidão de nascimento

O Museu Nacional foi criado por decreto de D. João VI em 6 de junho de 1818 com o objetivo de educação, cultura e difusão da ciência. A instituição chamava-se Museu Real e foi instalada no Campo de Sant’Anna (atualmente Praça da República, no Centro, RJ) com peças da Casa dos Pássaros e outras peças das coleções reais. Em 1863, foi criada a Biblioteca do Museu Real. Com a Proclamação da República (1889), o Museu foi transferido para o Paço de São Cristóvão (1892) e passou a ser chamado Museu Nacional. 

Ao longo da história, importantes cientistas visitaram o Museu, como Albert Einstein (1925), Marie Curie (1926) e Albert Santos-Dumont (1928). Neste período (1884-1954), Edgard Roquette-Pinto, médico, professor, antropólogo, enquanto diretor da instituição, criou o primeiro setor educativo em um museu no país baseado nas visitações a museus dos Estados Unidos realizada por Bertha Lutz (1894 – 1976), feminista, bióloga e política. Em 2008, o relatório resultante dessas visitações foi publicado em livro com o título “A Função Educativa dos Museus”. Em 1946, o Museu Nacional foi incorporado à Universidade do Brasil, atual UFRJ.

O Museu Nacional é formado pelos departamentos de Antropologia, Botânica, Entomologia, Geologia e Paleontologia, Invertebrados, Vertebrados, e vários Programas de Pós-Graduação. Além da Biblioteca criada ainda na Monarquia (1863), o Museu possui mais três unidades de informação: a Seção de Memória e Arquivo (SEMEAR) ou antigo arquivo histórico, o Centro de Documentação em Línguas Indígenas (CELIN) e a Biblioteca Francisca Keller (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do MN/UFRJ). Os acervos encontram-se disponíveis na Base Minerva da UFRJ e na Biblioteca Digital de Obras Raras.

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