Alípio de Miranda Ribeiro, Valença e o Museu Nacional

Edição: 613 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 05/09/2018 as 11:16

 
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Alípio de Miranda Ribeiro nasceu em 21 de fevereiro de 1874 na cidade de Rio Preto/MG, onde residiam os seus pais, Teotônio Victor Sayão de Miranda Ribeiro e Josephina Mascarenhas de Miranda Ribeiro. Eles eram professores primários e proprietários da escola que se chamava “Collegio Athenêo Mineiro” que, em 1876, contava com quarenta alunos e já funcionava também como “pensão interna” para as filhas dos abastados fazendeiros do Vale do Rio Preto!

Eles foram os responsáveis pela iniciação nas letras do filho Alípio que, já nessa época, dava demonstrações de suas aptidões e inclinação à zoologia. Desde a mais tenra infância em Rio Preto, Alípio colecionava nos arredores do colégio de seus pais e mantinha nos porões e parque dessa casa um pequeno jardim zoológico. E o mais impressionante: com idade de apenas 14 anos traduziu para o português (e, havendo para tal fim estudado sem mestres o francês) a obra do naturalista, matemático e escritor francês, conde de Buffon, existente na Biblioteca Pública de Valença, copiando-lhes as estampas a aquarela. Tudo leva a crer que, após o ensino primário, Alípio deu continuidade aos seus estudos em Valença, cidade onde teria residido por alguns anos.

Todo esse interesse por História Natural despertado desde jovem nas cidades de Rio Preto e Valença, fez com que Alípio se mudasse logo a seguir para o Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, onde se matriculou na Faculdade de Medicina, não tendo chegado a concluir o curso. Em 1894, com apenas 20 anos ingressou no Museu Nacional, com a função de preparador interino da 1ª Secção. Em 1897 foi nomeado naturalista-auxiliar, vindo a exercer os cargos de secretário (1899), professor e chefe da Divisão de Zoologia (1929), função que exerceu até vir a falecer, em 8 de janeiro de 1939.

Ao longo da carreira profissional, ele produziu mais de 150 obras sobre vertebrados e invertebrados da fauna brasileira. Participou da primeira expedição da Comissão Rondon (1908-1910) e foi também o fundador da Inspetoria de Pesca, em 1911. Quando da famosa visita do físico Albert Einstein ao Brasil (7/5/1925), Alípio de Miranda Ribeiro fora o escolhido para se posicionar ao seu lado para o registro fotográfico oficial, na entrada principal do Museu Nacional, onde trabalhou por longos anos. Por esse motivo no acervo do Museu, na “Seção de Memória e Arquivo”, que conta com variados fundos sobre expoentes da fundação das ciências no Brasil, um dos homenageados é justamente esse ilustre riopretano (na cidade de Rio Preto um dos principais logradouros, no bairro Safira, leva o seu nome), que estudou e residiu em Valença, onde inclusive aconteceu uma das primeiras publicações de Alípio de Miranda Ribeiro de que se tem registro. Em 1899, esse que é considerado um dos mais importantes zoólogos do primeiro quartel do século passado, fez uma necrologia de Carlos Schreiner, que saiu estampada na “Gazeta de Valença”!

Em tempo: A maior parte das informações contidas nesse texto foi extraída durante as pesquisas do autor no “Fundo Dr. Alípio de Miranda Ribeiro”, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, cujo recente incêndio impossibilitou o aprofundamento no tema, sendo que parte da documentação ainda não tinha sido digitalizada, infelizmente!

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