Eleições de 2018

Edição: 615 Publicado por: Marilda Vivas em 19/09/2018 as 08:40

 
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E as mulheres, quem diria, se uniram opondo-se à candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República.

O fenômeno, segundo a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e ex-professora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, traz incômodos e esses não são poucos: “Dois milhões de mulheres organizadas, motivadas e discutindo são capazes de mobilizar suas mães, filhas, amigas. Imagina o impacto disso em um país com a quantidade de eleitores como o Brasil”, afirma, durante entrevista concedida ao jornalista Gabriel Bonis da newsletter CartaCapital (16/9/2018).

Ao analisar a rápida adesão ao movimento on line do grupo “Mulheres contra Bolsonaro” em um cenário no qual 49% das mulheres rejeitam sua candidatura, Rosana Pinheiro-Machado tece as seguintes considerações:

“A rejeição só existe também em relação a outro dado que deve ser observado que é o desprezo da maior parte das mulheres por essa política institucional que não as representa, sendo que o maior número de indecisas também vem das mulheres. Analiso isso como uma urgência de nos defendermos e nos protegermos porque, em última instância, somos nós por nós mesmas. Especialmente as mais prejudicadas em um possível governo Bolsonaro que é a base da pirâmide: as mulheres negras, que já sofrem toda a precarização do trabalho e as consequências da violência urbana. São as mulheres que apanham e são estupradas a cada onze minutos e que são as vítimas da violência real dessa sociedade. Também são as mulheres que temem que o armamento traga mais violência porque não são elas que reproduzem a violência, que acham que a violência se soluciona com mais violência. É um pouco de medo e ação. Sai desse desprezo pela política institucional em que ninguém representa para uma ação pelas nossas vidas, porque tem sido assim historicamente. São as nossas vidas que são as mais violentas e a grande vítima do sistema excludente capitalista.” (cartacapital.com.br/ politica/201cgrupo-contra-bolsonaro-incomoda-por-causa-de-seu-potencial... ).

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PSDB

A mea culpa do senador Tasso Jereissati (PSDB) em recente entrevista concedida ao Estadão se caiu feito uma bomba dentro e fora do meio político.

“Como o sr. avalia a trajetória recente do PSDB?”, perguntou o Estadão.  

“O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder.”

Ao senador Tasso Jereissati faltou apenas a humildade de ter se colocado, também, no discurso. Afinal Aécio Neves não esteve sozinho no episódio que derrubou a presidente eleita Dilma Rouseff.

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Reflexão

Dias nervosos são os dias da América Latina. A nosso favor, como ao resto do mundo, saber que o tempo é generoso conosco. Somos caminhantes de uma trajetória quase sempre errante. E dele, do tempo, obtemos permissão “para crer que hoje pode ser o primeiro dos dias, e para querer que seja alegre como as cores de uma quitanda”. (Eduardo Galeano. Os Filhos dos Dias. Janeiro 1. Hoje.).

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