Jabuticabas

Edição: 616 Publicado por: Marilda Vivas em 26/09/2018 as 08:49

 
Leitura sugerida

Fico feliz quando chega o tempo das jabuticabas. E fico de olho, atenta em obter. As maritacas, isso eu sei de longa data, são rivais certeiras. E quase sempre, chegam antes de mim. Ricas em vitaminas B1 e B3, em cálcio, fósforo, potássio e ferro, não é de estranhar que possuam fins medicinais, na forma de chás, e que sejam absorvidas na fabricação de licores, geleias, caldas, sucos, vinhos, vinagre e cachaças. Ah! Há tanta coisa que se pode escrever sobre as jabuticabas. Mas nesse momento, prefiro dizer. Falar da alegria que é colher jabuticabas no pé. Escolher as mais graúdas. Rir dos ditos, das piadas e das estórias que sempre surgem quando as pessoas se encontram em torno de jabuticabeiras. Isso sem falar em casquinhas molhadas atiradas em alvos certeiros. Não raro, recordo aqui, só depois de muito fartar é que nos damos conta de procurar a bolsa de reserva. Quase sempre me esqueço de uma. Aí não tem jeito. A saída é a beirada da blusa ou um bolso na camisa, como em certa ocasião, um gentil amigo o fez. Mexo nas lembranças. Confesso que colher frutas nos pés, e jabuticabas em particular, é algo que nunca soube apreciar com moderação.    

 

Brasil, 2018.

Em estudo recente, o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta cerca de 23,3 milhões de pessoas, ou seja, 11,2% da população brasileira, vivendo abaixo da linha da pobreza (R$ 232,00 por mês). Para se ter uma ideia, um número maior do que a população do Chile. Segundo dados divulgados, a miséria subiu 33% entre 2014 e 2017, quando surgiram 6,3 milhões de novos pobres. Esse novo perfil do Brasil é também aquele que vai às urnas em 2018.

 

Coletivos Feministas e outros movimentos

Mulheres e homens pretendem ir às ruas, avenidas e praças no próximo dia 29, sábado, para mostrar sua rejeição contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). Até o momento em que escrevo, manhã de terça-feira, foram listados na imprensa, mais de cem eventos para esta data em diversas capitais brasileiras, dezenas de cidades do interior (Valença, inclusive) em vários estados e até do exterior, como Lisboa, Porto e Coimbra (Portugal), Berlim (Alemanha), Lyon (França), Galway (Irlanda), Barcelona (Espanha), Sidney e Gold Coast (Austrália), Londres (Inglaterra) e Haia (Holanda), entre outras. A lista completa (ou quase) pode ser conferida no endereço https://www.revistaforum.com.br/cidades-do-brasil-e-do-mundo-terao-atos-contra-bolsonaro-no-dia-29/

 

Pistas palmilhando o caminho

Atualmente tenho tido um tempo privilegiado de escuta e de espera. Nos intervalos, o tempo dedicado a leituras tem sido mais frequente e delicado. Dias desses, não foi difícil encaixar, na poesia suave e delicada de Paulo Leminski, a alma plena que habita uma criança. Diferente disso, ensinavam os antigos, alguma coisa não está bem. 

 

 

“Nesta vida

Pode-se aprender três coisas de uma criança:

Estar sempre alegre,

Nunca ficar inativo

E chorar com força por tudo o que se quer.”

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