Eleições 2018

Edição: 619 Publicado por: Marilda Vivas em 17/10/2018 as 08:50

 
Leitura sugerida

Digo #EleNão. Digo e escrevo. Digo, escrevo e uno minha voz à de centenas de milhões de brasileiros que entendem ter chegado a hora de enfrentar algo que pensávamos ter ficado para trás. Algo como a defesa da tortura, materializada em atos e gestos que nos remetem e retomam, em boa medida, às práticas do nazi-fascismo. Não! Não tem como negar. A ameaça é real e volta a pairar como ameaça concreta sobre todos os seres humanos. E sobre todos os seres humanos entende-se ‘sobre todos os seres humanos’, votantes ou não de Bolsonaro. Sua eleição pode nos conduzir a uma noite sem fim. Não se trata aqui de ter uma má vontade com o candidato. Não. Mesmo porque digo e repito o quanto ele é sincero. Mente apenas quando se apresenta como candidato da mudança ao contrapor-se ao governo Temer. Mas não mente quando expressa o que realmente pensa.

Sobre o espectro de uma ditadura militar escondida no subterrâneo das estruturas de poder, o filósofo Vladimir Saflatle, professor livre docente da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Agência Pública (09/10/2018), salienta que:

 

“A primeira coisa que ele fala quando passa para o segundo turno é: ‘nós vamos acabar com esses ativismos’. Ele promete união nacional e promete acabar com os ativismos. Parece uma contradição mas não é; ele vai criar uma união nacional baseada no cadáver de todos os ativistas, daqueles que não concordam com ele. Não é uma união nacional, é uma brutalidade social que a gente só tinha visto na ditadura. A gente sabe que vai ter um governo que, na verdade, é um governo de setores das Forças Armadas misturados com fundamentalismo evangélico, que é o pior cenário possível. Um governo militar teocrático feito pra implementar um programa ultra neoliberal. De pauperização extrema, de aumento dos conflitos sociais, de precarização e vulnerabilização absolutas, de desprezo com os setores mais vulneráveis da sociedade ou seja, uma bomba que não é nem uma bomba relógio, é uma bomba armada, que pode estourar literalmente a qualquer momento. A primeira revolta que tiver, você vai ter uma situação de brutalidade social que pode muito bem levar a uma situação de exceção.” (https://apublica.org/2018/10/quando-voce-nao-acerta-suas-contas-com-a-historia-a-historia-te-assombra/)

 

Por seu turno, Virgínia Fontes, historiadora, professora-pesquisadora da EPSJV e da Universidade Federal Fluminense (UFF), e autora do livro “O Brasil e o capital-imperialismo”, alerta, no primoroso artigo “Sob impacto” (Niterói-RJ, 10/10/2018) aprofunda aspectos dessa face, não dando margens às discórdias.

 

“Não tenho dúvidas de que em todo o espectro político há gente digna. Do centro e da direita, das religiões e dos clubes deverão emergir vozes em defesa do ser humano e das liberdades democráticas. O horror do totalitarismo é a única coisa democrática a sobreviver quando um pesadelo desse tipo se estabelece. O totalitarismo persegue, discrimina, humilha, tortura e assassina. Em primeiro lugar ataca aqueles que escolhe como inimigos, os que pensam diferente dele. A liberdade de pensamento acaba. Reclamar pode ser uma sentença de morte.

 

Essa violência pode voltar-se contra qualquer um, inclusive os filhos de poderosos, que discordem por uma razão ou outra. O horror pode ser ainda mais arbitrário e designar como inimigos grupos ou setores inteiros da população, até mesmo da própria classe dominante. Isso já ocorreu na Alemanha, quando os judeus, pobres ou riquíssimos, foram perseguidos. Foram expropriados, perseguidos, assassinados. Reduzidos ao mesmo pó que os demais, os comunistas, os homossexuais, os ciganos e algumas religiões. Apenas por existirem.” (https://esquerdaonline.com.br/2018/10/10/eleicoes-sob-impacto/)

 

Bom, leitores desta coluna. Defendo, como defendem os dois autores citados, que cerrar fileiras com Fernando Haddad e com todos os que defendem que humanidade e democracia não são palavras vazias, é permitir, minimamente, que a luz continue dissipando trevas que no passado, ainda tão recente, se abateu sobre o país.

Votar agora é mais importante do que nunca.

-.-.-.-

Advogando em causa própria

Tendo em vista que a municipalidade anda recuperando as calçadas em vários pontos da cidade, e está fazendo isso, nesse exato momento, aqui na rua da escola Aparecida, aproveito para solicitar que façam melhorias na rampa de acesso de um dos passeios. No caso, construir uma pequena escada nos moldes daquela existente na esquina que dá acesso ao Largo da Igreja Aparecida (próximo ao Sindicato Rural). Rampa íngreme demais. Impossível subir. Perigosa para descer. Menos, é claro, para crianças e jovens. A gente que já passou dos 65a, não se aventura. Fica o apelo.

 

 

À guisa de contribuição, retomo trechos do artigo “Sob Impacto”

1 comentários

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jorge luiz em 19/10/2018 às 12:08 disse:

todos querem mudanças, mas votar no pt não é luz , e´treva braba, #pt não.
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