Serenidade, “Seu” Jair

Edição: 620 Publicado por: Marcelo A. Reis em 24/10/2018 as 10:21

 
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Caro leitor;

Escrevo, de uma maneira informal, dirigindo-me não apenas a você, mas também ao presidente Jair Bolsonaro. Vamos conversar a três. Ele, você e eu. Faço desta forma pela autoridade de, lá atrás, percebermos a caminhada dele e antevermos a sua chegada à Presidência. Lembro que outros, com muitas credenciais e qualificações, como o Merval Pereira, o Elio Gaspari, o Bernardo Mello Franco e tantos mais, não acreditavam e não levavam fé que cresceria tanto. Quando “teimava” em crescer diziam que, logo,logo, atingiria o teto. Há poucos dias um deputado federal, político experiente, ao encontrar-me cumprimentou-me dizendo: “Você foi o primeiro que percebeu e acreditou no Bolsonaro”.  Um pouco encabulado, assumi e atenuei dizendo que ainda que previsse uma sacudida não imaginara a enorme dimensão da automobilização da campanha e o tamanho da limpeza que seria promovida pelo eleitor. Mobilização popular de tal envergadura só vi, já mencionei, na campanha de Jânio, em 1960, e na de Brizola ao Governo do Rio, em 1982. As pessoas se agrupavam, mobilizavam recursos e partiam para o “combate”. A campanha de Bolsonaro foi/é assim. Tal funde a cuca de setores da esquerda, pois sempre acreditaram ter o monopólio de mobilização das massas. Erraram; se ferraram. A direita, sob a liderança do capitão, mobilizou muito mais. E a questão se agrava para eles, do ponto de vista doutrinário, pois, uma vez mais, imaginaram que bastaria aparelhar o Estado e, aí sim, dariam o “golpe”. Mesmo que ritualizado em eleições. Isto porque pensavam que o principal opositor seria o Alckimin apelidado, com justiça, pela irreverência do eleitor paulista, como “Picolé de Xuxu”. Acreditavam que seria um passeio!

Como diria o Mané Garrincha tinham que ter combinado com os russos. Bolsonaro percebeu os anseios da população porque andou. Norte, sul, leste, oeste do continente Brasil. Conversou nas ruas; não ficou em mesas redondas na Globonews. Em 2014, encontrei-o no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Só, com uma bolsa a tiracolo. Ia para o Centro Oeste e regressaria no dia seguinte. Perguntado, respondeu-me que estava em campanha. Um Pqdt (paraquedista), um precursor lançando-se sobre o terreno do inimigo...

Agrupou, congregou a ele os que comungavam das suas visões, os que recusavam o PT e os “que estavam contra tudo o que aí está”.

Conto tudo como reminiscências de uma campanha. Parece-me estar tudo definido e daí o título, daí ter, acima, o tratado como presidente...

Agora “Seu” Jair é que, no popular, “o bicho pega”, “a onça bebe água”. As cobranças virão de imediato, tanto as de boa como as de má-fé. Cobrarão a redução da violência, por milagre, no dia seguinte da posse. Reclamarão dos excessos das autoridades policiais... Enfim, os mega interesses armarão todas as arapucas. Sei da sua determinação, sei de algumas pessoas da maior qualidade que estão à sua volta. Mourão, Augusto Heleno, Paulo Guedes e outros. Sei que você escolherá pela competência e seriedade. Tudo é importante. A equipe é fundamental, mas a decisão final, a palavra final, a responsabilidade final é exclusivamente sua. Irrenunciável! Indelegável! Muitas noites você passará em claro e, fazendo jogo de palavras, digo, não conseguirá clarear o momento, a situação, as articulações. Lidará com probos e com pilantras, porque de tais tipos compõe-se a sociedade. 

Aí está a sua força e a sua fraqueza. Você terá que ser muito duro e extremamente sereno. Será o presidente de todos os brasileiros. Inclusive aqueles que lhe fizeram oposição. Nada será fácil. Há que lembrar-se, sempre, de uma passagem em que São Francisco pede a Deus “coragem para mudar o que preciso for, resignação para aceitar o que não puder modificar e, sobretudo, sabedoria para conseguir diferenciar umas das outras”. Terá que pedir a Deus para lhe proteger dos “amigos”. Preparar você para as decepções. Muitos interesses escusos emergirão de pessoas nas quais confiou... 

Recordando de sua origem militar, inspire-se em nosso Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que foi firme na pacificação do Brasil, mas sempre estendendo a mão ao adversário da véspera. O Brasil está cindido e a você, só a você, cabe promover, comandar, liderar a nossa reunificação. 

Com muita serenidade.

Até a próxima.

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