Valença e a Revolução de 1842

Edição: 620 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 24/10/2018 as 11:33

 
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18 de junho de 1842. A Câmara Municipal da Vila de Valença reúne-se em sessão convocada extraordinariamente. O assunto era oportuno e de grande importância. Presentes os vereadores Eleutério Delfim da Silva, Manuel da Silva Ferreira, Herculano Furtado de Mendonça, Antônio Carlos Ferreira, Manuel Jacinto Soares Vivas, João Batista de Araújo Leite e o presidente, José Ildefonso de Souza Ramos. A sessão se realizou dentro de um ambiente de apreensões. Afinal, a notícia que acabara de chegar à Vila dava conta de que os rebeldes já haviam tomado o arraial de Santa Rita de Jacutinga e marchavam em direção à Vila do Rio Preto.

Não estavam ainda inteiramente resolvidos os conflitos nas Províncias do Maranhão (“Balaiada”) e Rio Grande do Sul (“Guerra dos Farrapos”) quando, em 1840, o jovem Imperador Pedro II assumiu o trono. Nomeou um Ministério que, dominado pelos conservadores desde 23 de março de 1841, adotou medidas centralizadoras que provocaram nos liberais intenso descontentamento. Ocorreram então as chamadas “Revoltas Liberais de 1842”, que foram movimentos rebeldes manifestados em Minas Gerais e em São Paulo, que agitaram o Brasil durante o Império.

E na história dessa Revolução em Minas, Rio Preto tomou parte saliente, graças ao apoio maciço recebido dos vizinhos valencianos. Juntos, deram muitos voluntários para essa trégua. E muitos de seus homens de destaque puseram-se ao lado do governo constituído. Devido principalmente aos históricos vínculos afetivos e laços familiares comuns que unem os moradores de Valença e Rio Preto, a Câmara valenciana decidiu naquele dia 18 de junho, unanimemente, convidar o povo do município a concorrer com suas forças para a manutenção da ordem pública na vizinha Rio Preto. Ao cair da tarde do dia seguinte, a força composta por cerca de oitenta praças e voluntários, sob o comando do chefe da 8ª e da 13ª Legião da Guarda Nacional do Rio de Janeiro, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, se pôs a marchar em direção ao ponto do Rio Preto.

Inicialmente, na guarnição militar que compunha o Presídio do Rio Preto, anexo ao Registro, foi-se formando o “Ponto do Rio Preto”, uma espécie de acampamento militar, um centro de operações composto por praças e oficiais de Cavalaria e Infantaria da Guarda Nacional, de várias legiões, grupos e companhias das Províncias de Minas Gerais e também, surpreendentemente, do Rio de Janeiro. Rapidamente, o Ponto de Rio Preto se tornou um acampamento importante. Às 14 horas do dia 6 de julho, chega também a Rio Preto Honório Hermeto Carneiro Leão (Marquês do Paraná), Presidente da Província do Rio de Janeiro, acompanhado de outras forças. A seguir, é a vez de Luiz Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) e seu irmão, o coronel José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho (futuro Visconde de Tocantins), na companhia de numerosos comandados, chegarem a esse quartel militar.

No decorrer dos meses, foi desse contingente militar “mineiro-fluminense” montado em Rio Preto (o acampamento se instalou na praça e o quartel-general passou a funcionar na Igreja do Rosário) que partiu, pelo menos em quatro oportunidades, forças compostas de “praças de Cavalaria e Infantaria Nacional do Rio Preto” com o intuito de penetrar na Província de Minas Gerais, por diversos flancos, a fim de combater os rebeldes alojados em Santa Rita de Jacutinga (junho), em “Serra Negra e Rio do Peixe” (15 de julho), em Ouro Preto (20 de julho) e na batalha final de Santa Luzia (em agosto).

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