A desintoxicação, o octogenário, as eleições e o Bolsonaro

Edição: 622 Publicado por: Marcelo A. Reis em 07/11/2018 as 09:31

 
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 Caro leitor;

Quase escrevi eleitor! Estava, e ainda estou, intoxicado. Grave crise de “eleiçonite”! Encerrada a apuração, proclamados os resultados, desliguei o computador, smartphone e tudo mais. Saí do mundo, do real e do virtual. O presidente eleito deveria estar comemorando com a sua família, assessores, amigos e sendo acossado por abutres de todo gênero. Sempre acercam-se dos vitoriosos. Vi tais coisas em 1982 com o Brizola e em 96 com o Conde. Chegam lépidos e faceiros. Têm mil e uma propostas fantásticas para a redenção(!) do povo. Fazem pelo mais puro altruísmo(!). Na sucessão, ao perderem as eleições, ficaram uns poucos seguidores fiéis. Lembro-me de um secretário do Conde, dos mais próximos, que foi celebrar a vitória do César Maia, que o havia derrotado, na casa do eleito. Não conseguiu porque alguém da família Maia cortou-lhe o caminho, encerrou-lhe o intento na portaria do prédio. Vi pessoas que, à véspera eram Haddad, comemorando a vitória de Bolsonaro... São vagalumes; atrai-lhes a luz que os matará queimados... Alguns sobrevivem!

Cansado, fico meio para baixo. 

Dia seguinte abro a engenhoca eletrônica e mais de duas mil mensagens! Para que não fique em dúvida repito: mais de duas mil mensagens! Comentários sérios e pertinentes; vários! Imbecilidades de todas as cores e quilates; uma enxurrada! Desligo! Ligo a TV para ver um filmete qualquer. Ainda no Jornal Hoje, mostra um senhor de 88 anos, com sondas, as mais diversas, que falando, com muita dificuldade, diz: “Nunca deixaria de votar! Todos temos que ter compromisso com o Brasil! Eu tenho! Só não o farei, morto!”

Pqp! (desculpem!) bateu na minha testa. É por aí! Um exemplo de patriotismo! Não sei em quem votou. Sei que votou certo. Votou como e em quem acredita. Tenho certeza que deve ter vivido uma vida de trabalho, pautada na ética, na moral e no patriotismo. 

Comecei a pensar nestes meses de campanha. Primeiro, acho positivo a população ter voltado o seu pensamento para a Pátria e a necessidade de soerguimento do Brasil. É importante. Não existe no mundo país que tenha dado certo sem que a população estivesse unida e coesa em torno de objetivos nacionais. Pode haver divergências, discrepâncias mas tem que haver um núcleo firme que seja permanente. Saúde, educação, transporte, segurança, ciência e tecnologia, cultura, defesa, promoção social. O cidadão comum, à exemplo do “velhinho” acima, nada pede de extraordinário e está pronto para, até mesmo, sacrificar-se pelo país desde que sinta seriedade dos seus dirigentes.

A eleição de Bolsonaro, há três anos aqui prevista por mim, insere-se nesse contexto. O presidente eleito andou, andou e andou, ouviu e soube verbalizar os anseios da população. Sua votação representa o somatório da vontade daqueles que esposam as suas ideias de sempre, a dos “órfãos” que acreditaram no PT e sentiram-se enganados, a dos anti PT e a dos que estão contra tudo o que aí está (no mundo político). Tal explica a total mobilização da sociedade e coloca nas costas do presidente uma enorme carga. Ele terá que conjugar firmeza e serenidade para sanear e retomar o crescimento. O Brasil sempre se acreditou com um magnifico, esplendoroso, futuro. Tinha perdido a fé e a esperança. Volta a crer, mas que não o frustre. Reproduzo um trecho do meu artigo “Serenidade, “Seu “ Jair”, de uns dias atrás, aqui mesmo:

“Agora “Seu” Jair é que, no popular, “o bicho pega”, “a onça bebe água”. As cobranças virão de imediato, tanto as de boa como as de má fé. Cobrarão a redução da violência por milagre, no dia seguinte da posse. Reclamarão dos excessos das autoridades policiais... Enfim, os mega interesses armarão todas as arapucas. Sei da sua determinação, sei de algumas pessoas da maior qualidade que estão à sua volta. Mourão, Augusto Heleno, Paulo Guedes e outros que você escolherá pela competência e seriedade. Tudo é importante. A equipe é fundamental, mas a decisão final, a palavra final, a responsabilidade final é exclusivamente sua. Irrenunciável! Indelegável! Muitas noites você passará em claro e, fazendo jogo de palavras, digo, não conseguirá clarear o momento, a situação, as articulações. Lidará com probos e com pilantras, porque, de tais tipos, compõe-se a sociedade.” 

Prossigo dizendo que o presidente o é de todos os brasileiros, inclusive os que nele não votaram. É o presidente de católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos e ateus. O cidadão Jair Messias Bolsonaro pode escolher, optar e praticar o credo que lhe convenha. Tem o direito inalienável de ser evangélico. É uma decisão personalíssima. 

O presidente da República Federativa do Brasil tem que estar acima das religiões; tem que ser mandatoriamente laico porque assim o é o estado brasileiro!   

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