Passado presente

Edição: 626 Publicado por: Marilda Vivas em 05/12/2018 as 07:59

 
Leitura sugerida

Pezão preso

Rei morto, rei posto.

Na Câmara Municipal de Valença reinou o silêncio. Nenhum afago. Nenhum consolo. Nenhum tropeço.  

 

Lula livre?

Gostaria de escrever certa de que o habeas corpus impetrado a favor do ex-presidente Lula foi deferido nesse mal iniciado 4 de dezembro. Afinal, o motivo principal de sua prisão já não existe mais: as eleições presidenciais. Contudo, a lógica indica que não. Lula continuará encarcerado e, sem que seus perseguidores apresentem provas cabais dos delitos cometidos por ele, outras frentes de acusação continuarão a ser abertas. Ademais, não faz sentido algum soltá-lo agora: Lula jamais deixará de ser o elemento central da luta antifascista e pela restauração da democracia e do Estado de Direito, no Brasil. Que o diga o jornalista Jeferson Miola em artigo disponível no site da Tribuna da Imprensa Sindical.

 

“Coletes Amarelos”. França. 2018

O movimento “Coletes Amarelos”, que sacode a França, levou milhões de trabalhadores a protestaram em mais de uma centena de cidades francesas. Numerosas paralisações foram decretadas, principalmente nos serviços de transporte público (trens, ônibus e metrô) e da educação, superando todas as expectativas iniciais. O nome vem dos coletes obrigatórios nos veículos para serem usados como prevenção em caso de acidentes automobilísticos. 

Segundo os noticiários, o movimento surgiu desvinculado de qualquer comando político ou sindical. Sua organização se deu pelas redes sociais a partir de uma petição online contra aumentos do imposto nos combustíveis, na forma de uma taxa, para supostamente desestimular o uso de carros e combater a poluição para depois se estender contra a alta do custo de vida em geral. A petição reuniu milhões de assinaturas em poucos dias e saiu das redes sociais para se transformar em manifestações nas ruas. 

O fundo da questão é a política econômica do presidente Emmanuel Macron, eleito com apoio de um representante do sistema financeiro internacional e, segundo dizem, do inteiro agrado do governo alemão, e sem nenhum apoio dos partidos políticos tradicionais.

As políticas de austeridade implementadas por Macron para beneficiar o grande capital, em especial as “reformas fiscais” que suprimiram o imposto sobre as fortunas, só fizeram entornar o caldo: Os “Coletes Amarelos” já pedem a destituição do presidente, que ostenta uma taxa de aprovação de 32% e a de reprovação de 68%.

As ruas, por vezes, governam o país.

 

JBS

Um ano e meio após as delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista virem à tona, a JBS, dona da Friboi, que nunca pertenceu ao filho do Lula, voltou a se recuperar e os dois estão R$ 2,5 bilhões mais ricos. Atualmente, os quase R$ 32 bilhões de valor de mercado da empresa é 23% maior que no dia 17 de maio de 2017, quando as gravações de Joesley com o presidente Michel Temer tornaram-se públicas. As ações nas mãos dos Batistas, que detêm 40,6% da companhia, somam hoje R$ 13 bilhões.

Em março de 2017, o grupo JBS, um dos maiores produtores de carne bovina do mundo, também teve seu nome envolvido na Operação Carne Fraca, que investiga irregularidades e pagamentos de propinas a agentes do Ministério da Agricultura. Mesmo com a reputação arranhada, o grupo conseguiu blindar sua operação e aumentar as vendas da companhia.

 

O passado presente

O Grupo de Trabalho Perus (GTP) anunciou nesta segunda-feira (3) a identificação de um segundo desaparecido político entre as ossadas descobertas em um cemitério clandestino em São Paulo. Depois de Dimas Casemiro, o identificado é Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, militante morto também em 1971. Tinha 48 anos. Ele morreu no DOI-Codi de São Paulo, comandado à época por Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Segundo a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a prisão e morte foram denunciadas pelo preso político Altino Rodrigues Dantas Jr., em carta enviada do Presídio Romão Gomes, de São Paulo, em 1978, ao general Rodrigo Octávio Jordão Ramos, ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Entre os presos que testemunharam a prisão, estava Nelson Rodrigues Filho, filho do conhecido escritor brasileiro.

De acordo com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a confirmação foi concluída no mês passado, depois que o GTP recebeu resultados de exames de DNA a partir de amostras enviadas a uma entidade em Haia, na Holanda. O anúncio foi feito durante o I Encontro Nacional de Familiares, que está sendo realizado Brasília, promovido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. (Portal Vermelho).

 

Registro

É com pesar que registro o falecimento da professora Lucy Jouan Dias Coelho. Fui sua aluna no antigo ginasial e presença certa nas segundas épocas na disciplina de Ciências, por ela ministrada. Nunca dominei com desenvoltura matérias que requeriam uma boa dose de memória e, como era o caso, aquelas que exigiam a confecção de modelos didáticos como meio para efetivar a aprendizagem de conceitos sobre células e botânica. Quem me socorria nos traços e nas tintas, era o Mauro. Dona Lucy percebia e isso parecia fazer pouca diferença ante a importância de se compreender os fenômenos ao invés de apenas decorar conceitos. 

O tempo passa. Em uma das raras visitas que lhe fiz e ao professor Ubiratan acabei voltando para casa com o material didático utilizado em suas aulas ginasiais. Àquela altura, seu desejo era repassá-los a quem deles pudesse desfrutar do material aposentado. E assim foi feito, posteriormente.

Nos meus alfarrábios trago guardados os desenhos feitos pelo meu irmão e meu livro de estudante. Na memória, além da lembrança afetiva, trago os momentos vivenciados nos trabalhos de campo e a necessidade de entender melhor como o conhecimento é produzido e a partir de que contexto isso se dá. Continuo enrolada com a memória falha e a plena inabilidade com o desenho. Mas, feliz com a história construída a partir do que me foi ensinado por tia Lucy, nas aulas de Ciências e no esbarro da vida. Gratidão.

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