Caro leitor;

Edição: 627 Publicado por: Marcelo A. Reis em 12/12/2018 as 08:43

 
Leitura sugerida

Não, não estou senil, repetitivo. Vou contar, uma vez mais, uma conversa pessoal que tive com o Brizola, em Nova Iorque, já relatada inúmeras vezes aqui, para fazer um elo com os dias atuais. Foi em 1977 quando o conheci, recém-chegado aos EUA. Havia sido expulso do Uruguai por pressão do Governo Geisel que, dentro do processo de Abertura, não o queria fisicamente próximo da fronteira do Brasil. Perguntado sobre 64, razões, causas e consequências. Fez uma longa e alentada digressão e, com uma sinceridade simples e objetiva, disse-me algo que nunca esqueci/esquecerei e reproduzo, mais ou menos, de memória. “Sem renegar, abdicar das minhas posições, acho que em 64, não percebemos claramente o que ansiava a população. Quando clamavam por Reformas de Base, estavam dizendo que queriam, educação, segurança, saúde e tranquilidade para cuidarem das suas famílias, para tocarem os seus negócios. As lideranças leram, equivocadamente, que estacam gritando: Revolução! “Conto isso porque há quatro anos vimos escrevendo que, em nossas andanças o que mais ouvíamos nos mais diversos ambientes, classes sociais era que “no tempo dos militares era melhor”. Víamos as pessoas tendo uma profunda admiração pelo Exército. Nas regiões mais pobres, mais carentes, os militares, a militaria eram sempre citados e referidos com admiração e carinho. Escutei também muitas objeções ao que chamaria “apologia da homossexualidade”; no popular ouvi gente dizendo ser “contra a propaganda da viadagem”. Aqui cabe um parênteses. Não existe uma condenação. Entendem ser um direito de cada um, mas não cabe “incentivar”, “estimular”. Ou seja, o cidadão comum entendia que cada um faz o que melhor lhe apraz, mas sem “esculachar”. Percebi uma enorme indignação contra os políticos e a Justiça de um modo geral. O Partido dos Trabalhadores, Lula em especial, tinham muito prestígio e estes vinham sendo erodidos pelo acobertamento dado aos acusados de corrupção. Reitero que tal era a opinião dominante nos mais diversos setores. Estou apenas reproduzindo. 

Muito antes dos grandes órgãos da imprensa e dos “cardeais” perceberem o crescimento real e a possibilidade de vitória de Jair Bolsonaro, já a anunciávamos aqui. Você leu diversas vezes. O presidente eleito soube perceber o que queria, manifestava à população e como a ela chegar-se sem dispor de estrutura partidária e aparato de comunicação. Soube mostrar-se “um homem comum” e ele o é. Soube mostrar como um jovem de classe média baixa, do interiorzão, com/por esforço pessoal, ingressou na AMAN e fez carreira. Abro um parênteses para repetir (mais uma) que quando fui sub-prefeito e posteriormente secretário municipal, lá na Cidade do Rio de Janeiro, o que mais recebia eram pedidos de ajuda de jovens que queriam prestar o Serviço Militar. Não era apenas pelo emprego, mas pela realização, pessoal, o respeito e o orgulho da farda.

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