Definição de esquerda – direita - socialismo – democracia e povo.

Edição: 628 Publicado por: Ney Fernandes em 19/12/2018 as 09:17

 
Leitura sugerida

Prezada Amiga:

Conversando com você, relatou-me da discórdia entre dois amigos, sobre a questão de esquerda e direita. Existem manifestações, que muito já ouvi, de pessoas que consideram que: essa questão de direita e esquerda não existe. Essa visão é uma distorção da história, pois as palavras Esquerda e Direita, não nasceram por acaso, não foram jogadas ao vento e ficaram vagando no tempo. Os vocábulos “esquerda” e “direita”, vêm do ambiente radical democrático da Revolução Francesa! Quando, entre 1789 e 1791, a Assembleia Constituinte da França se dividiu com relação ao veto real e dos poderes reservados ao rei, os radicais colocaram-se fisicamente à esquerda da câmara, quando vistos a partir da cadeira do presidente, enfrentando os conservadores, que se colocaram à direita, Como esse alinhamento deixava claro a “esquerda” passou a ser identificada com uma atitude, fortemente democrática que defendia a abolição do veto real, um Legislativo em Câmara Única, um Judiciário eleito, e não nomeado, supremacia do Legislativo em vez da independência dos poderes, e um Executivo forte, acima de tudo o direito democrático , de um voto para cada homem.

Durante a radicalização progressiva da ditadura jacobina entre 1793 e 1794 acrescentaram outros itens, entre os quais uma milícia popular em lugar do exército profissional, anticlericalismo e um sistema progressivo de impostos. Assim como esse pacote sobreviveu à Revolução Francesa e dominou grande parte da cena política do século XIX, do mesmo modo prevaleceu a disposição dos assentos. Generalizaram-se na Europa os termos de “esquerda” e “direita”. A grande trindade retórica da Revolução Francesa - “liberdade, igualdade, fraternidade” – tem as mesmas originais. À parte as conotações de gênero, “fraternidade” implicava um ideal de solidariedade social vital à maioria dos movimentos de esquerda enquanto “igualdade” residia no núcleo filosófico da esquerda. Ademais, ao exigir o governo do povo, a esquerda procurou derrubar o poder de outra coisa, “um velho regime”, uma classe socioeconômica dominante ou simplesmente uma estrutura corrupta de governo. Acreditava-se que a soberania do povo era negada não apenas por sistemas políticos restritivos e repressivos, mas também por estruturas sociais desiguais. Na tradição da esquerda, alguma forma de justiça social era praticamente inseparável da busca da democracia.

Prezada Amiga: - Não sei se poderíamos definir a discussão de seus amigos, como uma posição de direita ou esquerda, mas de indignação. Pelo que vem acontecendo no país! – Não sei, também, se o que acabo de escrever, vai ter algum valor para você. Mas, vamos “pra” frente! – Vou falar um pouco sobre a partilha da miséria, a sedução capitalista que escamoteia a opressão, organiza-se na forma de uma constelação de palavras mágicas, por meio das quais o falante e o ouvinte acreditam realizar todos os seus desejos. – Palavras como felicidade, ética, liberdade, oportunidade, mérito são todas mágicas.

Uma dessas palavras mágicas, usada pelo capitalismo é a palavra “democracia”. Antidemocrático, o capitalismo precisa ocultar sua única democracia verdadeira, - partilha da miséria e, hoje em dia, cada vez mais, a matabilidade – em nome da aparência de outra que é feita com as palavras mágicas. Aristocrático, ele acusará a crítica de ser antidemocrática, pois ele faz parecer que o monopólio da democracia é seu, Assim como todo sujeito autoritário reserva para si certas verdades, acontece com o todo do regime, pois, esta reserva faz parte da sua lógica. Podemos dizer que a democracia é polissêmica, mas também podemos dizer que alguns de seus significados são vendidos no mercado. De um lado, há uma democracia que deve aparecer realizada contra outra democracia, que está na ordem do desejo e do sonho e que não teria preço. Como véu acobertador de manejo simples, a democracia usada em sentido mágico perde sua história carregada de importantes significados políticos. Em seu fundo bem oculto, no tempo presente, sobrevive alguma coisa que ainda parece razoável, algo que desejamos, um governo de todos, direito e igualdade social. Ao mesmo tempo, é evidente que há uma mentira concreta na democracia: a estabilização do capitalismo de outros regimes autoritários para a qual a palavra serve de acobertamento. O casamento entre opressão e sedução promete realizar a mágica capitalista em um fiat lux redentor. A democracia neste contexto é também um reducionismo, mas ainda não se achou um nome melhor para uma utopia possível.

Vamos encontrar a palavra para dar melhor sentido ao texto.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...