Mudança de atitudes

Edição: 630 Publicado por: Ney Fernandes em 16/01/2019 as 09:10

 
Leitura sugerida

“Deus criou a mulher. E o tédio de fato cessou daquele momento em diante. Mas muitas outras coisas cessaram também. A mulher foi o segundo erro de Deus” (Friedrich Nietzche)

“Nunca haverá a libertação total do poder, em especial em relação à politica da sexualidade” (Judith Butler)

Qualquer um que tenha vivido com uma pessoa do sexo oposto sabe que a guerra dos sexos não se trava apenas nas ruas ou no local de trabalho, mas também em casa. Embora tradicionalmente os homens tenham considerado as tarefas domésticas um dever feminino, as mulheres estão cada vez mais se rebelando contra injustiça desse sistema. O argumento de que os homens saem para trabalhar e são responsáveis pelo sustento da família já não cola. Não é só uma questão de justiça. Trata-se, no fundo, de um jogo de poder. Essa parceria uma simples questão de injustiça. Existe um trabalho doméstico que precisa ser realizado, mas a responsabilidade não é dividida de maneira equitativa, entre o casal. Hoje em dia, as mulheres saem para trabalhar assim como os homens, de modo que não há motivo para o macho da espécie pedir isenção das tarefas do lar.

Só que nem sempre foi assim. Antes do século XX, seria difícil encontrar uma filósofa, e o fato de que existem dois sexos dificilmente passava pela cabeça da maioria dos grandes pensadores. Exceto, é claro, quando se tratava de tarefas domésticas e para fins recreativos. Determinado filosofo sintetizou, ao descrever a mulher como a companheira de folguedos dos homens. Parece que Sócrates, que cedeu na questão, não por qualquer motivo profundo, mas porque sua esposa, Xantipa, era quem dava as ordens. Quanto aos demais, filósofos, esperariam que as mulheres cumprissem seu dever e assegurassem o conforto e a limpeza do lar. Jamais cogitariam realizar qualquer uma das tarefas degradantes nem imaginariam que as mulheres pudessem ser capazes, de qualquer outra coisa.

Durante grande parte da história, as mulheres eram sequer consideradas cidadãs. A situação começou a mudar durante o Iluminismo, a chamada Era da Razão, especialmente após a Revolução Francesa. Começou-se a falar em direitos dos cidadãos, e um grupo de mulheres corajosas trouxe à baila o tema dos direitos femininos. De certo modo, todos nós ao longo dos tempos, temos assistido à incessante luta das mulheres por seus direitos. Direito pela igualdade no trabalho, direito a salários iguais ao dos homens, direito de votar, direito por suas escolhas, direito de ser dona de seu corpo, direito de sobreviver num mundo ainda machista. E tenho dito.

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