O rio Preto afluente do Paraíba

Edição: 630 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 16/01/2019 as 15:22

 
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Em relação aos primórdios, há muito tempo a região onde se situa o chamado à época “Cêrtão do Rio Prêto” era conhecida como Descoberto da Mantiqueira. Não se sabe ao certo se devido à pulverização dos descobertos auríferos ou se à própria morfologia espacial do sítio geográfico, caracterizado pela presença de terraços e vales relativamente planos defronte à Serra da Mantiqueira. Mas foi assim que se chamou primeira e oficialmente essa região, onde se insere a parte central do Vale do Rio Preto, atualmente ocupada por territórios dos municípios de Valença/RJ, Rio das Flores/RJ e Rio Preto/MG.

O ponto que divide o estado de Minas Gerais do Rio de Janeiro é também o principal elo que une os três municípios supramencionados: o rio Preto. Rio com localização privilegiada e de importância histórica nacional, cujas terras de suas nascentes situam-se nas Agulhas Negras (serra de Itatiaia/RJ), a uma altitude de 2.440m, de onde desce aumentando em sua largura até se defrontar com seu rival, de nome idêntico, em língua tupi, “o Paraibuna” (em Afonso Arinos, distrito de Comendador Levy Gasparian/RJ), para se lançarem mais adiante no rio Paraíba, em Monte Serrat, localidade situada cerca de trinta quilômetros da cidade de Três Rios/RJ.

Por mais de duzentos anos o rio Preto foi considerado afluente do rio Paraibuna. Foi em 1943 que o pesquisador e escritor santarritense José Marinho de Araújo apresentou um estudo de sua autoria intitulado “O Rio Preto afluente do Paraíba”, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), em Belo Horizonte. Esse documento serviu de embasamento para que no ano seguinte um médico riopretano membro efetivo do IHGMG, Dr. Henrique Furtado Portugal, reivindicasse “a retificação de um grave erro cartográfico” no Memorial do X Congresso Brasileiro de Geografia realizado no Rio de Janeiro: “Um rio de maior porte, que não se desvia de seu curso, não pode ser afluente de um outro de menor porte, que se desvia perpendicularmente, seguindo o curso do maior. O rio Paraibuna é menos caudaloso que o rio Preto e se desvia de seu curso, seguindo o do rio Preto. O rio Preto é, portanto, segundo as normas da cartografia, afluente do Paraíba, à altura da cidade fluminense de Três Rios, e não do Paraibuna, próximo à localidade de Afonso Arinos”.

Embora essa justificativa tenha sido aprovada naquele mesmo ano (1944), somente em 2006, após muitas discussões acadêmicas, o IHGMG concluiu que, realmente, o rio Paraibuna é afluente do rio Preto. Portanto, é o rio Preto que faz parte do único delta triplo da América Latina, ao se encontrar com os rios Paraíba do Sul e Piabanha na cidade cujo nome não poderia ser outro: Três Rios.

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