Stress x Economia

Edição: 631 Publicado por: Gilberto Monteiro em 23/01/2019 as 15:43

 
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Nunca imaginei que era preciso envelhecer para vivenciar um momento político tão eivado de discussões raivosas, de desentendimentos e até mesmo de mal querências. A idade me possibilitou presenciar os atos e fatos que antecederam as eleições para presidente da república: uma atmosfera carregada onde até as discussões em família desandaram, estabelecendo discórdia.

Onde estaria essa nova faceta de insatisfação tão geradora de ansiedade? Talvez na internet, com suas redes sociais abrindo espaço e nos fazendo conhecer os bastidores das ações políticas. Não mais aquela política das elites, tão ou mais corrupta. Não mais aqueles segredos abafados que “andando a cavalo” iam permitindo feios fatos e atos. Quem sabe, ainda, o fracasso do PT ou as promessas bombásticas do novo candidato. Agora o povo se informa diariamente e as redes sociais proliferam. A imprensa falada e as redes muito mais do que a imprensa escrita, lembrar aqui a distância do hábito da leitura e os grandes problemas financeiros vividos pelas livrarias e editores. Tudo isto e apesar disto, no comportamento comum um progresso: o povo substituindo o nome dos jogadores de futebol, de qualquer time famoso, pelos nomes de Ministros, de componentes do STF, do Senado e da Câmara. O nome de todos na “ponta da língua”, o que também acaba preocupando pois a população deixa de lado outros assuntos e interesses menos causadores de ansiedade.

Voltando as discordâncias geradas, é preciso torcer para que elas tenham sido pontuais e assim voltem a se arrefecer um pouco no pós eleição.

O brasileiro é povo de comportamento ameno, só precisando de melhor posicionamento. Nosso comportamento é motivo de inveja. Quantos momentos difíceis ultrapassamos? Quantas crises superamos? Quanto de autoritarismo já descartamos? Mesmo não sendo de primeiro mundo em alguns momentos nos igualamos a eles: a Inglaterra pega fogo com as brigas sobre o Brexit; o muro nos Estados Unidos, na verdade um retrocesso, se até o Muro de Berlim foi ao chão.

Os jornais agora estampam notícias sobre o Forum Econômico Mundial que, pela primeira vez, inclui problemas de saúde mental entre os entraves à expansão econômica.

Vivemos a era da ansiedade, nossas emoções tendem para o negativismo. O ritmo acelerado da modernidade, o conhecimento imediato das tragédias mundiais, nos deixam, cada vez mais, vulneráveis às doenças psíquicas e nos tornando portadores de uma imensa ansiedade, doenças de restabelecimento difícil, de tratamentos caros, senhoras de um potencial que prejudica a família e concomitantemente as comunidades, tal número de afastamento das atividades.

“As experiências emocionais e psicológicas da vida diária, pessoal e profissional, precisam ser contabilizadas. Estamos falando de não ter emprego, ou ter, mas com um salário muito baixo, sentir-se inseguro diante da automação, viver numa sociedade polarizada onde há um crescimento da oposição raivosa que se traduz em processos políticos num lugar de uma oposição construtiva”, disse Aeugus Collis, membro do Fundo Econômico Mundial.

De se considerar assim que necessitamos, urgentemente, avaliar nossas ansiedades, ansiedades que agora começam a mexer na balança econômica internacional.

A professora Elza Neffa que andou bastante aqui por Valença, trabalhando e ministrando cursos nos dizia que “ em época de crises precisamos transformar nossos momentos de felicidade e prazer em oásis”. Seriam os oásis um antídoto, um remédio para a ansiedade e toda a gama de psiquismo?

Já Ana Paula Lisboa colunista de jornal carioca, nos orienta que “a Educação é para nos ensinar a estar num mundo real, enquanto a Cultura é para nos ensinar a inventar outros mundos” .

As duas, Elza e Ana Paula nos dão dica para combater as terríveis ameaças à economia mundial no futuro: ansiedade e psiquismos. Vamos a elas?

Numa edição anterior relacionamos o que Valença pode nos oferecer para fazermos os nossos oásis. É só desligar um pouco a televisão e comparecer. O evento pode até não ser dos melhores mas outras pessoas estarão por lá. Estabelece-se então uma rede humana, um face a face: risos, piadas, fofocas e, quantas vezes, a degustação de uma pizza em conjunto.

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