Vítimas de um “acidente”

Edição: 633 Publicado por: Fábio Roque em 06/02/2019 as 10:21

 
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Uma semana após do estouro da barragem de Brumadinho (MG), com mais cem mortes confirmadas e mais de duzentos desaparecidos, os dados nos mostram que o número de vidas ceifadas por este crime, passe de trezentos. Um número imensamente maior que o do rompimento de Mariana ocorrido em 2015. A internet se torna um campo fértil de comentários insanos querendo atrelar o atual governo a essa tragédia. É muito fácil encontrar pessoas afirmando que tragédias como essas serão muito mais frequentes com a nova política ambiental do governo, que na verdade, só quer desburocratizar para quem precisa derrubar uma árvore morta, que ameaça cair em seu quintal e causar mais prejuízos e acabar com a indústria da multa que até bem pouco tempo imperava no ministério do meio ambiente. As críticas a possíveis medidas na área ambiental são levianas, afinal de contas nenhuma ação foi realizada na área do meio ambiente pelo atual governo federal no sentido de incentivar a não preservação.

Vale lembrar que essa tragédia dolosa acontece após anos de relações promíscuas entre governo e empresas e, consequentemente, medidas que foram tomadas em seguida ao rompimento de Mariana, como o decreto 8572/2015 assinado por Dilma Roussef do PT que considera Desastre Natural o rompimento de barragens e o PL 2.946/2015 aprovado pela covarde Assembleia Legislativa do Estado de Minas e sancionado por aquele que conseguiu entrar para a lista de piores governadores que esse estado já teve, o senhor Fernando Pimentel, também do PT. Esse projeto de lei flexibilizou o licenciamento ambiental no estado. Chamo a atenção para contradição nas atitudes do ex-governador, enquanto contra a vontade da população local, ele criou o Parque Estadual da Serra Negra da Mantiqueira que abrange áreas dos municípios de Rio Preto, Olaria, Lima Duarte e Santa Bárbara do Monte Verde com o intuito de aumentar a proteção ambiental, ele também facilitou as atividades da empresa Vale que é responsável pelos maiores desastres ambientais da história de Minas. Pode-se dizer que Dilma e Pimentel são “cúmplices” no acontecimento de sexta-feira (25). Isso sem falar na ineficiência do estado em fiscalizar e punir. Já se passaram três anos e a Samarco, que é de propriedade da Vale, não indenizou quase ninguém e nenhuma pessoa foi presa pelas dezenove mortes daquele “acidente”. Ainda analisando os fatos, enquanto em 2015 Dilma levou três dias para se pronunciar e uma semana para sobrevoar a área atingida pela barragem da Samarco, Bolsonaro em 2019, se pronunciou poucas horas depois do acontecido em Brumadinho e, no dia seguinte, de manhã, mesmo contra a recomendação médica, pois estava a poucas horas de uma cirurgia, sobrevoou a região com uma equipe de ministros que no local montou um gabinete de gerenciamento de crise ligado a outro em Brasília. As diferenças dão a entender que as atitudes dos dois governos também serão diferentes com os culpados por essas tragédias. É o que a população espera, pois o que mais ouvimos, é que no Brasil rico não vai para a cadeia. O povo deposita todas suas esperanças no atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que esse cenário mude. E que os criminosos paguem pelos seus atos, com todo o rigor da lei.

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