Pracinha Sebastião Clementino

Edição: 634 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 13/02/2019 as 08:26

 
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Sebastião Clementino Machado nasceu na zona rural de Conservatória, distrito de Valença (RJ). Era filho de uma das últimas remanescentes dos índios que habitavam o famoso Conservatório - o derradeiro aldeamento indígena de nossa região. O pai, que ele nunca chegou a conhecer, era um ex-escravizado. Sebastião era, portanto, um cafuzo (ou carafuzo), que é resultado da união entre negro e índio.

Conta-se que, com o abandono do humilde lar pelo marido, sua mãe não teve condições de criar sozinha a numerosa prole. Eram pelo menos seis filhos: Clementina, Alzira, Maria, Aparecida, José e Sebastião. Quase todos foram “adotados” por outras famílias, moradores da região. Sebastião Clementino, ainda bem pequeno, teria sido acolhido pelo médico e político influente doutor Dolor Gentil Ramalho Pinto, que o levou para Rio Preto (MG), onde o menino foi criado. Acompanhando sempre o doutor Dolor nos atendimentos e nas consultas, o adolescente Sebastião aprendeu a medicar e a desenvolver técnicas medicinais, tornando-se um prático.

Aos 18 anos, Sebastião Clementino alistou-se no Exército, em Valença, e devido aos seus conhecimentos médicos foi servir no Batalhão de Saúde, sendo transferido posteriormente para o 11º Regimento de Infantaria do Exército em São João del-Rei (MG), de onde saiu em setembro de 1944 para lutar na 2ª Guerra Mundial. Faleceu em combate, heroicamente. Ele foi um dos dezessete homens de um pelotão que desapareceram em ação, no dia 12 de dezembro de 1944, nas proximidades da Vila de Abetaia, na região de Monte Castello, na Itália. Eles foram encontrados em volta de uma casamata, somente em fevereiro de 1945, em formação semicircular de combate e num campo aberto, a uma vintena de metros das seteiras inimigas, onde jaziam dezessete cadáveres brasileiros. Alguns cadáveres comprimiam o gatilho que disparara o último tiro e outros tinham nas mãos cerradas a granada, já sem grampo de segurança, que não chegara a partir e que só a rigidez cadavérica dos dedos comprimidos sobre a cauda do capacete impedia de explodir, o que leva a crer que lutaram até o último tiro. Estavam ali os dezessete desaparecidos em ação, que entraram para a história nacional como heróis de guerra – “Os 17 de Abetaia”!

Os restos mortais desse intrépido (e deslembrado) valenciano repousam no Monumento aos Pracinhas do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Pracinha é o termo pelo qual foram chamados os soldados do Exército Brasileiro que foram enviados para integrar as forças aliadas contra o nazismo na 2ª Guerra Mundial. Em sua homenagem, um dos principais logradouros da cidade de Rio Preto foi renomeado “Pracinha Sebastião Clementino”.

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