Mais uma vez a Venezuela 

Edição: 637 Publicado por: Marcelo A. Reis em 07/03/2019 as 08:16

 
Leitura sugerida

Caro leitor; 

Volto-me, uma vez mais, à Venezuela, país que conheci há muitos anos, onde estive algumas vezes. Gostei muito e tenho amigos e sobre o qual escrevi aqui em diversas ocasiões. Tem algumas similaridades conosco. Povo alegre, comunicativo, gentil e hospitaleiro. Em muito lembra o nosso Pindorama.  Assim como o Brasil, tem uma composição multiétnica e também, como nós, os negros e os nativos figuram na parte inferior dos extratos sociais. Outra semelhança, sem tirar e nem pôr, é a classe política corrupta e desqualificada que ali desenvolveu-se e apoderou-se, com sócios nacionais e estrangeiros do Estado em proveito próprio. Em tal clima aparece um tenente-coronel paraquedista, Hugo Chávez, que tenta, e fracassa, derrubar o governo. Como bons latino-americanos os venezuelanos já tinham um caudilho para conduzir e salvar o país. Carismático ganha as eleições e, com mil manobras, vai reelegendo-se. Cria o Socialismo do século XXI e amparado no preço do petróleo avança. Após a morte de Chávez, com a queda do preço do principal produto do país e conduzida por um caricato ditador de opereta bufa a Venezuela desaba, desanda e seu governo é sustentado/mantido pelos seus narco generais. As FFAA do país são uma estrutura militar, bem equipada, a serviço do tráfico internacional. A situação chegou ao limite extremo.

O Brasil tem uma enorme responsabilidade pela situação ter chegado ao nível de deterioração atual. Há alguns anos vimos denunciando, mas os nossos governantes têm medo de usar a nossa preeminência como potência regional. Omitiram-se. FHC virou o “irmão mais velho” de Chávez a quem “aconselhava”, “orientava”... Lula, com bilhões do BNDES cevou Maduro e, pasmem, nos tornou caudatários de Cuba e Venezuela... O PT fazia um ruidoso discurso “anti-imperialista” mas só conseguiu foi trazer o Tio Sam para, ainda, mais perto. No momento, há que fazer o que está sendo feito. Cautela e firmeza. Sensibilidade e realismo.

Não há como manter o ditador no cargo. Os remédios agora são muito mais indigestos.

Mil raciocínios têm sido formulados. Li vários. Pertinentes e enlouquecidos. Creio que cairá de dentro para fora. Revolta popular e os seus generais o despacharão, depois de terem se acertado com os americanos.

É uma hipótese plausível.

A política internacional, o jogo de poder é barra pesada. Não nos iludamos, imaginando que Trump esteja preocupado com a Democracia na terra de Simon Bolívar; ou que esteja sensibilizado pela fome “de los cabezitas negras”...

Não fantasiemos que Rússia ou China estão inocentemente preocupados com a autodeterminação do país. 

Todos lutam, brigam pelas riquezas, pelo Petróleo...

Repito, é Barra Pesada! 

Até a próxima.

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