Vício e poder

Edição: 637 Publicado por: Marilda Vivas em 07/03/2019 as 08:19

 
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Durante conversa dominada pelo depoimento de Sérgio Cabral ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, quando então se definiu como um viciado em dinheiro e poder, a dúvida levantada era se o ex-governador recuou do silêncio por estar preso há mais de dois anos e sentenciado a quase 198 anos de prisão ou se o fez por ter, finalmente, despertado a consciência.

Não deixa de ser interessante, comentamos, o ex-governador declarar que o poder o seduziu, que a tentação foi irresistível e que tudo isso é como um vício. Está certo, ele. Normalmente, pessoas que se lançam em uma busca desenfreada pelo poder raramente se destacam pela força de caráter. Ambiciosos, se perdem nos tortuosos caminhos da mentira e do poder. O que surpreende mesmo, no seu caso, é a magnitude desse vício. Quando o escândalo veio à tona, quem ousaria pensar que esse vício fosse tão desmedido assim?

Outra coisa: fica claro que na sua trajetória política o que menos lhe faltou foi liberdade para cometer erros. As consequências sofremos todos na precariedade das políticas públicas definidas para a saúde, segurança, transporte, habitação, educação e o caramba a quatro.

Mas, voltando à conversa, antes que eu pudesse destilar meu achismo, minha interlocutora opinou pelo despertar da consciência por ser a consciência a ferramenta que o ser humano utiliza na sua longa jornada de retorno a Deus. Surpreendida pela resposta, deixa estar que a conversa tomou um rumo inesperado e gratificante.

Enfim, não há como saber se Cabral transcendeu ou não sua individualidade. Mas, sendo quase certo que ele não vai apodrecer na cadeia - até aqui, não é esse o perfil que se desenha em casos assim - que ele então não se faça de rogado ou tímido no manejo dessa ferramenta.

A sociedade está a merecer transparência.

 

‘Deseleganteem’

A cerca de um mês, Caetano Veloso e Daniela Mercury lançaram a música “Proibido o Carnaval” contendo críticas à censura de comportamento e ao conservadorismo sexual. Passado esse tempo, o presidente Jair Bolsonaro surpreende o país ao publicar em sua conta no Twitter, que dois “famosos” acusam seu governo de querer acabar com o Carnaval. Sem citar os nomes de Caetano e Daniela, vai mais longe e conclui que “esse tipo de ‘artista’ não mais se locupletará da Lei Rouanet” e, em resposta, veicula o vídeo de uma música com esse tema, sem se dar ao trabalho de identificar o autor ou o intérprete da resposta.

Em carta-resposta, Daniela Mercury não só lamenta que ele, o presidente, não tenha entendido a letra da música como se mostra preocupada com a distorção feita em torno da Lei Rouanet.

A carta-resposta está amplamente divulgada na internet. Acesse para manter-se informado.

 

Educação x Multa

Agora, no município do Rio de Janeiro, todo assento de transporte público passa a ser preferencial para obesos, gestantes, pessoas com crianças de colo, idosos e deficientes físicos segundo decreto do prefeito Marcelo Crivella publicado no Diário Oficial do Rio (26/02).

Em caso de descumprimento, as pessoas que se recusassem a ceder o assento estão sujeitas a pagar R$ 100 de multa e ao desembarque compulsório. O condutor do veículo deverá acionar a Guarda Municipal ou agente de segurança pública ou privada para que a lei seja cumprida.

A decisão não agradou a todos. Para alguns, pagar multa não é a melhor solução. Uma campanha educativa cairia bem, argumentam.

E você, leitor, o que pensa?

 

Demandas

Demanda urgência reparar a calçada da rua Dr. Carneiro de Mendonça, esquina com Cel. João Rufino, lateral ímpar. Um sobressalto no passeio tem provocado acidentes graves. Foi o que aconteceu com uma colega de profissão. Acidentada no local, necessitou realizar cirurgia para colocação de placa e pinos de fixação, no braço direito. Outra demanda é a troca de lâmpada na rua Dr. Figueiredo, em frente ao nº 1270. O apagão anda beirando mês e meio.

 

Triste e soberano

Foi esse o Lula que emergiu da prisão.

Não entro no mérito do aparato de segurança que foi montado para levá-lo até o local onde seu neto Arthur estava sendo velado. Afinal, se tem alguma coisa à qual me acostumei é o nexo que a operação Lava Jato mantém com a mídia. Ali tudo se transforma em show. Show planejado, comoção social garantida. Os efeitos negativos são irreparáveis.

Alguém comentou e eu dei ouvidos: daqui a quinhentos anos, Getúlio Vargas e Luiz Inácio Lula da Silva continuarão a ser lembrados como presidentes do Brasil.

 

Reforma da Previdência

Em que ponto essa reforma que está sendo proposta faz de bem para você, trabalhador?

Talvez seja essa a pergunta mais importante a ser feita, nesse momento. Até aqui, vale lembrar, o que está sendo proposto destrói o pouco da rede de proteção social existente no país. Essa matéria diz respeito a todos nós. Procure se informar melhor.

 

Vermelho e branco

Em visita ao Canadá, onde participa de um encontro com empresários da indústria de mineração, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, informou nesta segunda-feira (4), que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vai permitir a atividade de mineração em terras indígenas e em zonas de fronteira.

No domingo, no mesmo evento, o ministro classificou o rompimento da barragem de Brumadinho como um fato do “destino”, sem citar as investigações feitas para apurar a responsabilidade da Vale. Até aqui foram contabilizadas 186 mortes e centenas de pessoas desaparecidas. (Fonte: www.brasil247.com).

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