Os Profetas do Atraso e a Nova Gestão Pública (NGP)

Edição: 341 Publicado por: Samir Resende em 16/05/2013 as 14:04

 
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Quando escutei a primeira fala do Dr. Álvaro Cabral, logo após o resultado apertado das urnas, onde ele desceu a lenha nos adversários que perderam as eleições, sem o entender que a nobreza de uma vitória habita justamente no reconhecimento dos derrotados, ainda mais numa cidade partida como Valença, eu logo pensei: - Ih, ele tá “viajando”!

Pouco tempo depois, na confusa entrevista ao blog Valença em Questão (Dez/12), quando o prefeito disse que “a transição (entre os governos) está correndo bem e em paz, com muita colaboração da equipe do Vicente”, minha desconfiança aumentou. Como está correndo tudo bem, se Valença está um caos? Era pra estar acontecendo um karatê dentro da PMV, dado o estado de descalabro que a Turma do Vicente (hoje na FAA) deixou na cidade. Enfim, vai que o prefeito estava dissimulando pra não dar bandeira praquela turma, pensei de novo.

Daí, o Dr. Álvaro assumiu entre boas ações (reabertura do pronto socorro, sinalização no trânsito, denuncia de corrupção na PMV) e outras nem tanto (nomeações no PREVI-Valença, processo seletivo sem concurso público, cooptação e captação de uma base aliada suspeita na Câmara de Vereadores).

Aqui a gente faz um corte para falar da relação conflituosa da Comunicação governamental com a sociedade. As primeiras entrevistas no programa pago que a Prefeitura tem na Rádio Alternativa Sul mostraram que o prefeito até tem uma visão de administração pública gerencial e estratégica. Mas, a volúpia em querer desmerecer todos os seus debatedores na cidade, pode botar a perder a efetividade desse processo de Nova Gestão Pública (NGP) que a cidade tanto precisa.

Ao destilar rancores e emoções contra a ação legítima de alguns setores da sociedade em também pautar os tópicos da agenda pública, o prefeito cai na armadilha anti-científica de fazer força onde não há resistência. Dizer que quem não concorda com a sua política são pessoas “que só falam mal de Valença” e que “ninguém criticou o governo passado” são elucubrações mentirosas que têm o peso da responsabilidade de quem fala. Assim como tem responsabilidade as reiteradas falências do governo em responder com respeito republicano as questões e requerimentos encaminhados pelo plenário da Câmara.

Ganhar uma eleição não dá direito ao eleito de só fazer o que quer na Administração Pública, ainda mais numa Democracia e num Estado de Direitos. Um mecanismo de controle não eleitoral, que emprega ferramentas institucionais e não institucionais (ações jurídicas, participação em instâncias de monitoramento, denúncias na mídia, etc.) e que se baseia na ação de múltiplas associações de cidadãos, movimentos ou mídia, objetivando expor erros e falhas do governo, trazendo novas questões ou influenciando nas decisões políticas a serem implementadas pelos órgãos públicos é o instrumental que a Nova Gestão Pública oferece. Mas, para por tudo isso em prática, precisamos vencer o clientelismo, o patrimonialismo e a tendência autoritária que habitam governos provinciais como o nosso. Uma ação tática para tal é a realização periódica de concursos públicos de provas e títulos, coisa que ainda não tocou corações e mentes desse governo, que prefere inchar a Prefeitura com gente selecionada por “entrevistas”. É uma pena, taí uma coisa que o prefeito poderia dizer na rádio, ao invés de ficar taxando todos (a oposição, a imprensa e o Facebook) de “profetas do atraso”.

3 comentários

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RENATO ANDRADE em 31/05/2013 às 22:52 disse:

SAMIR, QUEM ESTÁ SEMPRE VIAJANDO É VOCE COM SEUS HÁBITOS NADA REPUBLICANOS.
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Samir Resende em 28/06/2013 às 04:25 disse:

Além do ataque moralista, tem alguma coisa a dizer sobre o texto? Sobre o contrato superfaturado do Lixo? Sobre a nomeação de chefe do Parque de exposição que foi demolido não tem nada a falar, né? Pois...
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roberto garcia de souza em 16/05/2013 às 20:14 disse:

"a estratégia sem tática é o caminho mais curto para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota." frase da obra a "arte da guerra" de sun tzu que o prefeito não teve a oportunidade de ler. a politica e a guerra são as duas maneiras para solução dos problemas da sociedade. se tivesse passado perto ou se cercasse de pessoas que já tivessem lido certamente valença não estaria do jeito que está.
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